Vítima espancada por torcida da Mancha Azul relata sequelas e diz que não reconhecia o próprio filho
Durante a audiência, a promotora de Justiça Adilza Freitas informou que deverá acionar órgãos competentes para garantir assistência à vítima, diante da situação de vulnerabilidade
O julgamento de integrantes da torcida organizada Mancha Azul, acusados de tentativa de homicídio contra dois torcedores do CRB, crime ocorrido em 2023, foi marcado por relatos emocionantes das vítimas na manhã desta quinta-feira (19), em Maceió. Michael Douglas e Symei Araújo deram detalhes sobre as agressões que sofreram, crime que deixou Symei com sequelas até hoje.
Durante a audiência, Michael Douglas foi o primeiro a depor e fez um relato forte sobre a sessão de espancamento que sofreu. Segundo ele, o grupo acusado pelas agressões chegou de forma repentina e iniciou o espancamento sem qualquer explicação. “Perguntei por que estavam me batendo e eles não respondiam nada”, afirmou.
Ele contou que cerca de seis a oito pessoas participaram do ataque e que outros dois amigos conseguiram fugir. Michael disse ainda que só não sofreu consequências mais graves porque o toque do celular, que imitava uma sirene, fez com que os agressores recuassem. “Acredito que correram por causa disso”, relatou.
Ao falar sobre o estado de saúde do amigo Symei Araújo após o crime, Michael se emocionou. Ele contou que, ao visitá-lo após a saída do Hospital Geral do Estado (HGE), encontrou o amigo com severas limitações. “Ele não conseguia tomar banho sozinho, não me reconheceu e eu passei mal”, disse.
Symei Araújo, de 27 anos, também prestou depoimento. Ainda com dificuldades na fala, ele relatou as consequências da agressão, que o deixou quatro meses em coma. “Eu achava que não ia conseguir voltar a andar e falar”, declarou.
Segundo Symei, ele tentou fugir no momento do ataque, mas foi impedido. “Jogaram um barrote no meu pé, eu caí, levaram tudo meu, roupa, celular, documentos, me deixaram nu”, contou.
O jovem também relatou episódios posteriores ao crime que agravaram o sofrimento. De acordo com ele, imagens em que aparece despido foram transformadas em figurinhas e compartilhadas em grupos de WhatsApp, em tom de zombaria.
Antes da agressão, Symei disse que tinha o sonho de se tornar atleta de skate. “Hoje não posso mais”, lamentou. Ele também afirmou que ainda depende da ajuda da mãe para atividades básicas, como se alimentar, devido às sequelas.
Durante a audiência, a promotora de Justiça Adilza Freitas informou que deverá acionar órgãos competentes para garantir assistência à vítima, diante da situação de vulnerabilidade.
O julgamento ocorre na 9ª Vara Criminal da Capital e envolve dois dos cinco denunciados pelo crime, ocorrido em agosto de 2023, no bairro Ponta da Terra. Segundo a acusação, os réus teriam participado de um ataque com extrema violência contra os torcedores do CRB, utilizando pedaços de madeira, porretes e outros objetos.
O processo segue com a oitiva das testemunhas e os debates entre acusação e defesa. Não há previsão para o encerramento do julgamento.
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