Lula cita Inconfidência Mineira ao criticar clã Bolsonaro e fala gera polêmica
O presidente comparou a atuação dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro à de Joaquim Silvério dos Reis
BRASÍLIA — Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu o tom do debate político nacional e provocou forte reação da oposição. Ao comentar a relação diplomática entre o Brasil e os Estados Unidos e criticar as recentes agendas internacionais dos parlamentares Flávio e Eduardo Bolsonaro, Lula evocou um dos episódios mais dramáticos da história brasileira: a Inconfidência Mineira.
O presidente comparou a atuação dos filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro à de Joaquim Silvério dos Reis, célebre por ter delatado Tiradentes no século XVIII. "O delator de Tiradentes foi enforcado por menos. O que merecem os traidores da pátria?", questionou Lula durante o pronunciamento.
Repercussão e acusações de "ameaça"
A fala repercutiu imediatamente nas redes sociais e acendeu o alerta entre aliados da família Bolsonaro. Parlamentares da oposição e apoiadores do ex-presidente interpretaram a declaração como uma "ameaça velada" à integridade física e política do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
A crítica do chefe do Executivo faz alusão às constantes viagens e articulações que os irmãos Bolsonaro têm feito no exterior, especialmente nos Estados Unidos, onde costumam criticar as instituições brasileiras e o atual governo em fóruns conservadores. Para a base governista, a postura dos parlamentares configura um "boicote à imagem do Brasil" no cenário internacional.
Erro histórico em meio ao embate
Apesar do forte teor político, a declaração de Lula carregou um equívoco histórico. Diferente de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes — que foi condenado, enforcado e esquartejado em 1792 —, o delator Joaquim Silvério dos Reis jamais foi executado.
Como recompensa por ter entregado os planos dos inconfidentes à Coroa Portuguesa, Silvério dos Reis teve suas dívidas perdoadas, recebeu uma pensão vitalícia e títulos honoríficos, vindo a falecer de causas naturais anos mais tarde.
Até o momento, as assessorias de Flávio e Eduardo Bolsonaro não emitiram uma nota oficial conjunta, mas interlocutores do PL já sinalizam que pretendem acionar canais jurídicos e comissões de ética do Congresso para repudiar a fala do presidente.
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