Agente do DMTT é condenado por tentativa de homicídio e perde o cargo em Maceió
Crime contra Rommel Gomes Soares ocorreu no ano de 2022
O Conselho de Sentença da 7ª Vara Criminal da Capital condenou Natan Ivo Tomás da Silva por tentativa de homicídio contra Rommel Gomes Soares, em julgamento realizado nesta quinta-feira (19), em Maceió. O réu também teve decretada a perda da função pública que exercia no Departamento Municipal de Transportes e Trânsito (DMTT).
A pena foi fixada inicialmente em 14 anos de prisão, mas, por se tratar de crime na forma tentada, houve redução de dois terços, resultando em pouco mais de quatro anos de reclusão. O julgamento foi presidido pelo juiz Yulli Roter Maia. A condenação prevê cumprimento em regime semiaberto, mas, diante da inexistência desse regime no sistema prisional local, o réu deverá responder em liberdade. Há possibilidade de o Ministério Público recorrer da decisão.
Durante a sessão, o júri teve início com o depoimento da vítima, que detalhou o que aconteceu no dia do crime. Rommel relatou que recebeu uma ligação da esposa informando sobre uma falta de energia na rua onde moravam. Diante da situação, ele se dirigiu ao local e encontrou uma equipe da Equatorial realizando o serviço, com o apoio de dois agentes do DMTT.
Ao se aproximar dos trabalhadores para buscar informações, ele percebeu o acusado dentro de uma viatura da então Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (SMTT), estacionada na via. Ao se abaixar na altura da janela para fazer a pergunta, afirmou ter sido surpreendido com um tapa no rosto, sem que houvesse qualquer discussão prévia. “Como qualquer ser humano, revidei. E ele pegou a arma e já atirou em mim”, relatou durante o julgamento.
Após o disparo, ainda de acordo com a vítima, o acusado deixou o local rapidamente, acompanhado de outro agente que estava nas proximidades.
Rommel contou que foi socorrido por uma tia, que mora em frente ao local, sendo levado inicialmente para a UPA do Tabuleiro e, em seguida, transferido para o Hospital Geral do Estado (HGE). O projétil atingiu a região do tórax, com saída próxima à axila.
A vítima também destacou as consequências após o crime. Motorista de aplicativo à época, disse que ficou cerca de três meses sem trabalhar e que, mesmo após tentar retomar as atividades, sentia dores na região atingida, especialmente ao usar o cinto de segurança.
Durante a audiência, um outro agente que estava com o acusado no momento dos fatos também foi ouvido. Ele relatou que estava de costas quando ouviu o disparo e, em seguida, viu a viatura se aproximando em alta velocidade, com o réu pedindo pressa para deixar o local. Segundo o depoente, só tomou conhecimento do ocorrido após o trajeto até a sede do órgão.
O agente afirmou ainda que, inicialmente, não sabia que havia uma vítima ferida e que soube da situação após receber informações de que uma pessoa baleada havia dado entrada na UPA do Tabuleiro. Ele também declarou não ter conhecimento de que o acusado portava arma de fogo durante o serviço.
Outro declarante ouvido em juízo relatou momentos de tensão no local, mencionando gritos e correria logo após o disparo. Segundo ele, chegou a ser agredido por pessoas envolvidas na situação e afirmou que os envolvidos teriam se dispersado rapidamente após o ocorrido.
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