Vorcaro negocia delação desde início do ano e prevê citar até 15 políticos
Ex-presidente do banco Master foi transferido para a superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde terá mais liberdade para falar com seus advogados
A delação premiada de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, está sendo planejada desde o início do ano e deve envolver inicialmente até 15 políticos, alguns deles deputados e senadores, segundo estimativa do próprio banqueiro.
Nesta semana, Vorcaro foi transferido para a superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde terá mais liberdade para falar com seus advogados, e assinou um termo de confidencialidade, marco inicial para negociação da delação.
O advogado José Luis Oliveira Lima, que agora atua oficialmente como advogado de Vorcaro, está trabalhando também na delação de João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag Investimentos.
A gestora investigada por suspeita de envolvimento com o crime organizado e foi alvo da Operação Carbono Oculto, que apura lavagem de dinheiro com fundos.
Os fundos da Reag também eram usados pelo Banco Master e, por isso, antes de ser preso, Vorcaro foi convidado duas vezes para participar das tratativas da delação de Mansur com a PGR (Procuradoria-Geral da República).
O banqueiro vinha se preparando para uma eventual delação e dizia a interlocutores que, nesse caso, Pierpaolo Botttini, seu advogado, teria que deixar sua defesa, já que pretendia delatar quatro clientes dele.
Nesse momento, Vorcaro deixou claro, sem citar nomes, que precisaria falar sobre suas conexões políticas e seus aliados no Congresso Nacional.
Ainda em fevereiro, integrantes da defesa do banqueiro fizeram chegar ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), que Vorcaro não estaria disposto a incluir integrantes do Supremo em sua delação.
Mendonça, por sua vez, disse que Vorcaro deveria falar sobre tudo que fosse perguntado. Caso contrário, sua delação não seria aceita.
Depois dessa troca de recados, em que ficou claro que uma delação deveria ser "completa, sem restrições", Vorcaro foi preso preventivamente.
Diante desse cenário, após ter seu pedido de liberdade negado por ministros do STF, na sexta-feira da semana passada, Vorcaro decidiu tirar dois integrantes de sua equipe de defesa — Pierpaolo Bottini e Roberto Podval — e embarcar na delação.
Em seu lugar, o banqueiro pediu que fosse chamado José Luis Oliveira Lima, com quem já havia discutido os termos de uma eventual delação casada com a de João Carlos Mansur.
Podval tentou permanecer na equipe de defesa, mas Vorcaro o informou de que era melhor que ele saísse, para não haver conflito de interesses.
Mendonça assumiu as rédeas da negociação e endossou a assinatura de um termo de confidencialidade com a PGR e a Polícia Federal.
A ideia é que, com a presença das duas instituições, o acordo de delação ganhe mais força.
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