Alagoas: quase um em cada cinco estudantes relata violência sexual; alta é de 47%
Maioria dos casos ocorre antes dos 13 anos; agressor costuma ser conhecido da vítima
O percentual de escolares de 13 a 17 anos que alguma vez na vida alguém tocou, manipulou, beijou ou expôs partes do corpo contra a sua vontade aumentou 47% em Alagoas entre 2019 e 2024, passando de 12,1% para 17,8%. O resultado indica que quase 1 em cada 5 estudantes no estado já vivenciou esse tipo de situação.Em Maceió, o indicador também cresceu, de 13,1% para 18,4% no período.
Os dados, detalhados nesta quinta-feira (2) pela Superintendência do IBGE em Alagoas, fazem parte da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2024 e trazem um recorte específico para Alagoas e Maceió.
No Brasil, o percentual passou de 14,6% (2019) para 18,5% (2024), um aumento de cerca de 27%, bem abaixo do observado em Alagoas.
Aumento é mais intenso entre meninas
A violência sexual atinge de forma mais intensa as meninas e foi entre elas que se observou o maior crescimento no período analisado.
Em Alagoas, o percentual de meninas que relataram violência sexual passou de 15,0% em 2019 para 22,8% em 2024, um aumento de 52%. Entre os meninos, o indicador subiu de 9,1% para 12,8% (40%).
Em Maceió, a diferença é ainda mais expressiva: entre as meninas, o percentual avançou de 17,4% para 26,3% (51%), enquanto entre os meninos passou de 8,6% para 10,4% (21%).
Os dados mostram que o aumento da violência sexual foi puxado principalmente pelo crescimento entre as estudantes do sexo feminino.
Rede pública concentra crescimento, especialmente na capital
O aumento da violência sexual foi mais intenso entre estudantes da rede pública de ensino.
Em Alagoas, o percentual na rede pública passou de 11,9% em 2019 para 18,4% em 2024, um crescimento de 55%. Na rede privada, o avanço foi menor, de 12,7% para 14,8% (16%).
Em Maceió, o contraste é ainda mais acentuado. Na rede pública, o percentual subiu de 13,1% para 21,7%, um aumento de 66%. Já na rede privada, o indicador permaneceu praticamente estável, passando de 13,2% para 13,4%.
Formas mais graves de violência aumentam 74% no estado
Os dados indicam que não apenas a ocorrência geral de violência sexual aumentou, mas também as formas mais graves desse tipo de violência.
Em Alagoas, o percentual de estudantes que relataram ter sido ameaçados, intimidados ou obrigados a ter relações sexuais ou outro ato sexual contra a vontade subiu de 5,1% em 2019 para 8,9% em 2024, um crescimento de 74%.
Em Maceió, esse indicador passou de 5,3% para 7,9%, representando aumento de 49%.
Agressor geralmente é alguém conhecido
A análise do perfil dos agressores mostra que, na maior parte dos casos, a violência é cometida por pessoas do convívio das vítimas.
Em Alagoas, os principais grupos identificados em 2024 foram desconhecido (27,2%), outro conhecido (23,3%), outros familiares (22,4%), namorado, ex-namorado, ficante ou crush (21,8%), amigo (17,6%) e pai, mãe, padrasto ou madrasta (8,8%). Em 2019, o amigo aparecia como principal agressor, com 31,9%.
Em Maceió, também houve mudança no perfil. Em 2024, destacam-se desconhecido (25,3%), outro conhecido (23,6%), amigo (23,2%), outros familiares (20,6%), amorado, ex-namorado, ficante ou crush (17,1%) e pai, mãe, padrasto ou madrasta (9,7%). Os resultados indicam uma redução da participação de parceiros íntimos e um aumento da relevância de pessoas do círculo social mais amplo.
Maioria dos casos ocorre antes dos 13 anos
A violência sexual atinge os estudantes ainda na infância, com a maior parte dos relatos ocorrendo antes dos 13 anos de idade.
Em Alagoas, 64,7% dos estudantes que sofreram violência sexual relataram que o episódio ocorreu antes dos 13 anos, percentual semelhante ao observado em 2019 (63,2%).
Em Maceió, essa proporção aumentou de 52,8% em 2019 para 65,9% em 2024, indicando maior concentração dos casos em idades mais precoces.
No Brasil, o percentual passou de 53,2% (2019) para 66,2% (2024), crescimento semelhante ao observado na capital alagoana.
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