Suzane von Richthofen diz que sente ‘culpa’ pelo estado do irmão: ‘Causei esse sofrimento nele’
Menção ao parente é um dos únicos momentos em que ela quebra um relato marcado pela frieza ao longo de quase duas horas de documentário, ainda sem data de lançamento pela Netflix
Pela primeira vez em uma década, Suzane von Richthofen, de 42 anos, voltou a falar publicamente do irmão, Andreas von Richthofen, hoje com 37. No documentário inédito que gravou para a Netflix, cuja existência foi revelada pelo blog nesta segunda-feira, a menção ao parente é um dos únicos momentos em que ela quebra um relato marcado pela frieza ao longo de quase duas horas de produção. Ao lembrar do impacto sobre Andreas da morte dos pais, crime pelo qual foi condenada a 39 anos de prisão, Suzane chega a mudar o tom de voz.
Ela afirma que o sofrimento do irmão, que tinha 14 anos na ocasião do duplo homicídio, é a consequência mais devastadora de tudo o que aconteceu. Manfred e Marísia von Richthofen foram assassinados a pauladas por Cristian e Daniel Cravinhos em 2002. Na obra, ainda sem data de lancçamento, Suzane recorda o momento em que Andreas descobriu que havia perdido os pais. "Ele gritava e chorava. Não era para ter sido assim. E eu tenho culpa porque causei todo esse sofrimento nele", afirmou, acrescentando que esse grito "ecoa até hoje" na cabeça.
Ao falar da relação entre os dois antes do crime, Suzane reforça que ele era a pessoa mais próxima que tinha. Diz que os dois cresceram unidos, quase isolados dentro da própria residência, formando uma espécie de dupla inseparável. "Era um refúgio nosso dentro de casa", definiu.
Suzane chega a sustentar que sempre teve um sentimento de proteção em relação a Andreas e que vê como uma contradição irreversível o fato de ter sido justamente ela a responsável por destruir a vida do irmão. Conta ainda que cada notícia que lê sobre a situação atual do parente a abala profundamente.
Esse sentimento de culpa já havia sido exposto publicamente antes. Em 2014, durante uma entrevista ao apresentador Gugu Liberato, na Rede Record, Suzane olhou diretamente para a câmera e pediu perdão ao irmão. O perdão, no entanto, nunca veio.
Segundo relatos posteriores, Andreas chegou a cogitar uma reaproximação. Em 2016, ele teria marcado um encontro com Suzane em Angatuba, no interior de São Paulo. No meio do caminho, desistiu.
Na mesma noite, Andreas foi encontrado em Campo Belo, em São Paulo, em estado emocional crítico. Ele acabou sendo resgatado por policiais enquanto tentava invadir uma casa, sendo levado para uma clínica psiquiátrica, onde permaneceu internado por cerca de 20 dias. O episódio foi associado ao abalo emocional provocado pela possibilidade de rever a irmã.
O rompimento definitivo entre os dois também passou por disputas familiares e patrimoniais. O tio, Miguel Abdala, irmão de Marísia, convenceu Andreas a mover uma ação judicial para declarar Suzane indigna da herança dos pais. A decisão fez com que todo o patrimônio, estimado em cerca de R$ 10 milhões, ficasse com o irmão.
Anos depois, a situação teve uma reviravolta. O próprio tio, que havia articulado a exclusão de Suzane da herança, morreu sem deixar testamento. Como Andreas abriu mão do patrimônio de Miguel, a única herdeira legal é Suzane. Ou seja, ela deve ser beneficiada com um patrimônio estimado em cerca de R$ 5 milhões.
Por ora, o longa-metragem de quase duas horas só foi disponiblizado pela Netflix numa pré-estreia restrita. Ainda não há data oficial de lançamento.
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