Caso Quitéria: advogado da ré acusa irmãs da vítima de mentirosas durante julgamento
Welton Roberto, também tentou interromper por diversas vezes a fala do promotor do caso, Antônio Villas Boas
Teve início, na manhã desta quinta-feira (9), o novo julgamento de Luciana Lins Pinheiro, suspeita de ser mandante do assassinato da própria irmã, Quitéria Maria Lins Pinheiro, morta com cinco tiros, no ano de 2012, em Maceió. A ré já havia sido julgada e absolvida pelo Tribunal de Justiça de Alagoas (TJAL), entretanto, o Ministério Público de Alagoas (MPAL) conseguiu reverter a decisão.
A audiência, que ocorre no Salão do Júri da 7ª Vara Criminal da Capital, começou tumultuada. O advogado de defesa da ré, Welton Roberto, tentou interromper por diversas vezes a fala do promotor do caso, Antônio Villas Boas. Ele também acusou uma das testemunhas, irmã da vítima e da ré, de mentir durante o depoimento.
Vale lembrar que os autores materiais do crime, Klinger (filho de Luciana e sobrinho da vítima) e Mustafá Rodrigues do Nascimento, foram condenados a 20 anos e 10 meses e 21 anos, respectivamente, pela morte da funcionária pública, à época com 54 anos.

Primeira testemunha
A primeira a ser ouvida foi Talmata, irmã de Quitéria e de Luciana. Questionada pelo promotor, ela confirmou o parentesco e evitou até mesmo olhar para um dos envolvidos no caso presente no plenário.
Ao falar sobre a vítima, Talmata se emocionou e destacou a relação próxima entre elas. “Minha irmã era tudo de bom. Morei com ela uns 50 anos. Ela criou os três filhos dela, pagava o plano de saúde de todos. Não era nem uma tia, era uma mãe”, declarou.
Ao ser questionada se Luciana teria motivos para mandar matar Quitéria, a testemunha negou. “Não. Ela só fazia o bem. Como uma pessoa que só faz o bem pode criar motivos para ser morta?”, disse.
Durante o depoimento, o advogado de defesa passou a interromper constantemente, elevando o tom de voz e chamando a testemunha de mentirosa. A atitude gerou reação imediata do promotor, que pediu para que constasse em ata o que classificou como abuso de autoridade.
Talmata também relatou que esteve na casa da vítima no dia do crime e afirmou ter presenciado um encontro entre Klinger e um homem identificado como Mustafá.
“Eu estava saindo quando vi. Fui para a casa da minha irmã. Quando cheguei lá, recebi a notícia. Por pouco me livrei, acredito que ia morrer também”, afirmou.

Ela ainda rebateu a sugestão de inveja em relação à vítima.
“Mentira. Inveja de quê? Ela não tinha nada. Não tinha emprego. Quem mantinha ela era Quitéria”, declarou.
Em seguida, foi ouvida outra irmã das envolvidas, Sandra. O clima de tensão se manteve, com o advogado voltando a insinuar que a testemunha mentia, o que gerou reação direta dela.
“O senhor está me chamando de mentirosa?”, questionou. Sandra relatou que estava em casa, assistindo televisão, quando Talmata chegou contando que havia encontrado Klinger com um homem desconhecido na residência de Quitéria e que eles estariam discutindo.
Pouco depois, segundo ela, uma amiga ligou pedindo informações sobre a vítima, o que achou estranho. Em seguida, outra ligação trouxe a notícia do crime. “No primeiro momento, com o impacto, não relacionei ao que Talma tinha dito. Relutei, mas fui. Quando cheguei lá, vi um monte de viaturas”, contou.
Ela também confirmou que Quitéria sustentava os três filhos de Luciana.
Durante o depoimento, o promotor Antônio Villas Boas abriu espaço para que a testemunha falasse livremente, inclusive sobre o impacto do crime na família, o que gerou novo embate com a defesa. O juiz interveio para conduzir a oitiva. “Se a defesa quer provas, vou mostrar”, afirmou o promotor, após ser questionado.
O julgamento segue ao longo do dia, com a previsão de ouvir ainda outras sete testemunhas.
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