Delegacias da Mulher em Maceió devem operar 24 horas por dia após ação do MPAL
MPAL evidenciou que, fora do horário comercial, mulheres em situação de violência são obrigadas a recorrer à Central de Flagrantes, ambiente que não oferece acolhimento especializado
O Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) ajuizou ação civil pública, na última sexta-feira (10), com pedido de liminar para assegurar o funcionamento ininterrupto, 24 horas por dia, de todas as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) na capital alagoana. A iniciativa, conduzida pela promotora de Justiça Karla Padilha, busca corrigir uma omissão estatal que, segundo o MPAL, tem comprometido a proteção efetiva de mulheres vítimas de violência doméstica, especialmente nos períodos noturnos, fins de semana e feriados.
A ação é fundamentada em um diagnóstico detalhado realizado pela Promotoria de Justiça do Controle Externo da Atividade Policial que aponta graves irregularidades estruturais e operacionais nas unidades especializadas, incluindo funcionamento restrito ao horário comercial, ausência de equipes completas e falta de atendimento multidisciplinar contínuo. Nessas inspeções realizadas, o MPAL evidenciou que, fora do horário comercial, mulheres em situação de violência são obrigadas a recorrer à Central de Flagrantes, ambiente que não oferece acolhimento especializado, o que agrava a vulnerabilidade das vítimas e desestimula a denúncia.
De acordo com a petição, a “omissão do Estado viola diretamente normas constitucionais e legais, como o dever de proteção à dignidade humana e à segurança pública, além de afrontar a Lei Maria da Penha, que assegura atendimento especializado, humanizado e contínuo às mulheres vítimas de violência”. O MPAL destaca que a legislação estadual também já prevê a necessidade de funcionamento ininterrupto das DEAMs, o que reforça que não se trata de uma faculdade administrativa, mas de uma obrigação legal expressa.
A iniciativa do Ministério Público também está amparada na Lei Federal nº 14.541/2023, que estabelece de forma expressa a obrigatoriedade de funcionamento ininterrupto das DEAMs, não se tratando de mera faculdade administrativa, mas de um dever legal imposto ao poder público. A norma determina a oferta de atendimento contínuo e especializado, com estrutura adequada e equipes multidisciplinares, justamente para assegurar a efetividade das políticas de enfrentamento à violência contra a mulher e evitar a revitimização, reforçando que qualquer interrupção nesse serviço configura violação direta aos direitos fundamentais das vítimas
Eficácia ameaça
Karla Padilha sustenta ainda que a ausência de funcionamento integral compromete a eficácia das medidas protetivas e pode colocar vidas em risco, uma vez que a violência doméstica não se limita ao horário comercial. “São nos momentos de maior incidência de violência, como noites e fins de semana, que o Estado falha, justamente porque é nesse período que a mulher mais precisa de proteção imediata e qualificada”, defendeu a promotora de Justiça.
Pedidos
Na ação, o Ministério Público requer que o Estado de Alagoas e a Secretaria de Estado da Segurança Pública adotem uma série de providências estruturais e operacionais, incluindo a manutenção de equipes completas 24h, com delegados, escrivães e agentes, além da presença contínua de profissionais da assistência psicossocial.
Também é pleiteada a garantia de lavratura de flagrantes, solicitação de medidas protetivas, atendimento em ambiente reservado e, preferencialmente, por policiais do sexo feminino, bem como a implementação de capacitação permanente dos profissionais envolvidos.
Outro ponto central da ação é o pedido de concessão de liminar para imediata regularização do serviço, diante do risco concreto à integridade física e psicológica das vítimas. O MPAL argumenta que “a permanência do atual cenário representa não apenas falha administrativa, mas violação sistemática de direitos fundamentais, exigindo atuação urgente do Poder Judiciário para compelir o Estado a cumprir suas obrigações constitucionais”.
“Para o Ministério Público, a medida vai além da reorganização do serviço público: trata-se de assegurar dignidade, proteção e acesso real à justiça para mulheres em situação de violência”, finalizou Karla Padilha.
Últimas notícias
Nos EUA, Leonardo Dias se consolida como candidato da família Bolsonaro em Alagoas
Justiça Eleitoral ‘derruba’ perfil de Cabo Bebeto no Instagram a pedido do MDB
Anvisa aprova nova caneta emagrecedora à base de semaglutida
Gunnar Nunes reúne 2 mil pessoas em lançamento oficial da candidatura
PIB do Brasil cresce 0,5% no segundo trimestre, mostra IBGE
Morre o cantor Rogério Valença, ex-vocalista da banda Calcinha Preta
Vídeos e noticias mais lidas
Cliente denuncia demora na entrega de carro após pagar quase R$ 110 mil
Jovem de 24 anos é baleado na mão e suspeitos fogem em São Sebastião
Comandante da PM emociona em homenagem a coronel que morreu após mal súbito
ASA vence Goiatuba nos pênaltis e garante acesso á Série C
