Justiça

Mãe de Anne Larissa relata relação conturbada da filha com o acusado durante julgamento

Júri popular acontece nesta quinta-feira (16), no Fórum do Barro Duro, sob condução do juiz Yulli Roter

Por 7Segundos 16/04/2026 15h03 - Atualizado em 16/04/2026 18h06
Mãe de Anne Larissa relata relação conturbada da filha com o acusado durante julgamento
Acusado de matar namorada por estrangulamento vai a júri nesta quinta-feira (16) - Foto: Ascom MP/AL

O julgamento de André Luiz Ramos Santa Cruz, acusado de matar a ex-namorada Anne Larissa Nepomuceno Silva, foi marcado por forte emoção na manhã desta quinta-feira (16), no Fórum do Barro Duro, em Maceió. Durante o júri popular, a mãe da vítima prestou depoimento e, aos prantos, relembrou os últimos momentos com a filha e o relacionamento conturbado com o réu.

Conduzido pelo juiz Yulli Roter, o julgamento começou às 8h, na 7ª Vara Criminal da capital. O Ministério Público é representado pelo promotor de Justiça Antônio Vilas Boas.

Em seu depoimento, a mãe descreveu Anne Larissa, de 40 anos, como uma mulher independente, recém-formada em enfermagem e cheia de planos para o futuro. Segundo ela, a filha trabalhava em um depósito de bebidas enquanto buscava se firmar na nova profissão.

Sobre o relacionamento com o réu, a mãe relatou que a filha o conheceu em um estabelecimento na Jatiúca e que ele teria prometido ajudá-la a conseguir emprego. No entanto, o vínculo se tornou abusivo. “Minha filha se apegou àquilo como uma tábua de salvação, mas era um relacionamento abusivo”, afirmou.

Ela também contou que o acusado demonstrava comportamento controlador. Em uma das situações, teria exigido uma foto para comprovar onde a vítima estava.

A mãe relatou ainda que, dias antes do crime, houve uma discussão entre o casal em via pública e que o réu teria invadido a casa da vítima pelo telhado — ação registrada por câmeras de segurança. “Depois dele, não entrou mais ninguém”, disse.

Na véspera do assassinato, mãe e filha passaram o dia juntas. Almoçaram, conversaram e foram às compras. Na ocasião, Anne afirmou que havia encerrado o relacionamento. “Mãe, ele não está mais na minha vida. E eu agradeço a Deus, porque era abusivo”, teria dito.

A última vez que se falaram foi na madrugada seguinte, por telefone. Desde então, não houve mais contato. Preocupada, a mãe tentou ligar e enviar mensagens, sem sucesso. “Disse: ‘minha filha, pelo amor de Deus, atenda o celular’. Mas não a ouvi mais”, relatou, emocionada.

Durante o depoimento, ela também revelou que a filha nunca demonstrou sinais de depressão ou intenção de tirar a própria vida. “Jamais. Ela tinha sonhos, queria ser mãe e exercer a profissão”, afirmou.

A mãe de Anne Larissa disse ainda que o réu fazia ameaças à vítima e que, após o crime, não procurou a família nem prestou solidariedade. Segundo ela, ele foi encontrado em uma casa localizada em uma ilha.

Ao ser questionada sobre as consequências da perda, ela afirmou que enfrenta problemas de saúde mental e faz uso de medicação para depressão. “Achei que não ia aguentar essa dor”, disse.

Ao final, fez um apelo por justiça: “O que eu mais queria jamais terei, o direito de abraçar a minha filha, agora eu só preciso de justiça para ter paz”.

O caso


Anne Larissa foi encontrada morta no dia 13 de outubro de 2024, dentro da própria residência, no bairro Feitosa. O laudo pericial apontou asfixia mecânica como causa da morte. A polícia foi acionada após a patroa da vítima estranhar sua ausência no trabalho.

As investigações indicam que o acusado esteve na casa da vítima dias antes do crime, quando teria pulado o muro e iniciado uma discussão. No dia do assassinato, ele também foi visto nas proximidades e teria sido a última pessoa com quem Anne teve contato.

O réu nega participação no crime e responde por feminicídio.