[Vídeo] Operação integrada prende líderes de facção em AL e revela esquema milionário
Suspeitos moravam em Alagoas, mas comandavam crimes no Paraná; investigação apura homicídios, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro
Uma operação integrada entre as Polícias Civis de Alagoas e do Paraná, deflagrada nesta sexta-feira (24), resultou na prisão de cinco líderes de uma organização criminosa investigada por homicídios, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro. Os suspeitos foram capturados em Maceió e Marechal Deodoro, após uma investigação iniciada em 2025.
De acordo com as autoridades, o grupo tinha atuação criminosa concentrada no Paraná, mas os integrantes residiam em Alagoas, de onde comandavam as ações criminosas à distância.
Segundo o delegado Igor Diego, diretor da Diretoria de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco), a Polícia Civil de Alagoas atuou em parceria com os investigadores paranaenses no monitoramento e localização dos alvos.
“Recebemos a solicitação de apoio da Polícia Civil do Paraná para levantamento e monitoramento de alguns alvos. Esse trabalho foi realizado após uma excelente investigação feita pela polícia daquele estado. Hoje executamos essa operação de forma integrada, que resultou na prisão dessas cinco pessoas, todas líderes dessa organização criminosa”, afirmou.
O delegado destacou ainda que, apesar de residirem em Alagoas, os suspeitos não apresentavam ligação direta com crimes praticados no estado. “As investigações demonstraram que eles atuavam apenas ordenando crimes no Paraná. Não temos indícios de ramificações ou de tráfico comandado por esse grupo em Alagoas”, explicou Igor Diego.
Investigação começou após série de homicídios
O delegado Thiago Teixeira, da Polícia Civil do Paraná, explicou que a investigação teve início após uma sequência de homicídios relacionados à disputa territorial pelo tráfico de drogas em Curitiba. “Eram dois grupos rivais e diversos homicídios estavam sendo cometidos para aumentar o controle territorial. A partir disso, começamos a investigar e identificamos que esse grupo, que estava em Maceió, era responsável por lavagem de dinheiro e tráfico de drogas”, relatou.
As apurações apontam que a organização movimentou cerca de R$ 30 milhões nos últimos sete anos.
Segundo o delegado, o esquema criminoso operava por meio de aplicativos de mensagens, que eram usados para transmitir ordens aos comparsas no Paraná. “Eles comandavam a organização por aplicativos de conversa. Os aliados no Paraná enviavam o dinheiro proveniente do tráfico para que eles mantivessem o padrão de vida em Alagoas”, explicou.
Luxo e empresas de fachada
Durante a investigação, a polícia identificou que familiares, terceiros e empresas de fachada eram usados para ocultar a origem do dinheiro. “Eles utilizavam pessoas próximas para alugar imóveis de luxo, pagar escolas dos filhos e despesas do dia a dia. Tudo era feito em nome de terceiros para dificultar o rastreamento”, detalhou Thiago Teixeira.
Segundo os investigadores, o estilo de vida ostentado pelos suspeitos também chamou a atenção. “Eles não escondiam que não exerciam atividade profissional. Viviam apenas aproveitando a vida com dinheiro proveniente do tráfico”, disse o delegado.
As equipes policiais apreenderam materiais durante o cumprimento dos mandados, que agora serão analisados. As autoridades não descartam novas fases da operação. “Vamos avaliar os dados coletados para verificar a participação de outras pessoas. Se houver necessidade, novas operações poderão ser realizadas”, concluiu o delegado Thiago Teixeira.
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