Polícia

Veja antes e depois de suspeita de dar facada em cabeleireiro em SP

Mulher reclamou do resultado, enviou ameaças por WhatsApp e voltou armada ao salão na Barra Funda, Zona Oeste da capital

Por G1 07/05/2026 09h09 - Atualizado em 07/05/2026 09h09
Veja antes e depois de suspeita de dar facada em cabeleireiro em SP
Segundo depoimentos prestados à Polícia Civil, Laís Gabriela Barbosa da Cunha realizou um procedimento de mechas e texturização no cabelo no salão Casa Ferrare, de abril - Foto: Arquivo pessoal

A cliente que atacou com uma faca o cabeleireiro Eduardo Ferrari dentro de um salão de beleza na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo, havia realizado semanas antes um procedimento capilar no local. Fotos mostram o antes e depois do atendimento feito no salão.

As imagens mostram Laís Gabriela Barbosa da Cunha com o cabelo mais escuro antes do atendimento e, depois, já com mechas e texturização feitas pelo profissional.

Segundo depoimentos prestados à Polícia Civil, a cliente inicialmente deixou o estabelecimento satisfeita com o resultado e chegou a publicar elogios nas redes sociais.

Dias depois, porém, ela passou a reclamar do cabelo, exigir devolução do dinheiro e enviar mensagens ao WhatsApp do salão com ameaças contra o cabeleireiro, segundo testemunhas ouvidas no boletim de ocorrência.

O ataque aconteceu na tarde de terça-feira (5), na Avenida Marquês de São Vicente. Câmeras de segurança registraram o momento em que a mulher conversa com Eduardo Ferrari enquanto ele atendia outra cliente. Em seguida, ela tira uma faca da bolsa e o golpeia pelas costas.

Funcionários e seguranças do estabelecimento conseguiram conter a agressora logo após a facada. O cabeleireiro sofreu um ferimento superficial nas costas e passou por exame de corpo de delito.

Corte químico?

Nos vídeos que circulam na internet sobre a confusão, a Laís Gabriela diz que foi vítima de corte químico por parte do salão.

O corte químico é a quebra ou ruptura extrema da fibra capilar, causada por incompatibilidade ou excesso de procedimentos químicos (descoloração, alisamento, progressiva). Ele ocorre quando o fio perde sua estrutura e elasticidade, tornando-se emborrachado, poroso e quebradiço.

Porém, a advogada Quecia Montino, que representa o cabeleireiro Eduardo Ferrari, rebate a alegação da moça.

“Não teve corte químico no cabelo dela. O que ela está questionando e chegou aqui reclamando foi com relação ao corte, que ela disse que ele cortou demais, o cabelo dela estragou. Só que ele nem realizou o corte no cabelo dela porque ela não tinha dinheiro para pagar outro procedimento”, afirmou.

“Nesses vídeos aí que estão circulando na internet dá pra ver que a franja dela tá diferente do dia do resultado do salão. A franja dela nos vídeos tá bem menor. Não sei se ela cortou em casa ou se ela foi em outro salão e cortaram errado e danificou o cabelo dela e ela quis jogar a culpa pro Eduardo. No salão do Edu não teve nenhum procedimento feito de forma errada que tenha causado dano à saúde do cabelo dela”, disse Montino.

Procedimento

Segundo depoimentos, a cliente havia feito o procedimento em 7 de abril. Cerca de uma semana depois, começou a enviar mensagens dizendo estar insatisfeita com o resultado.

Um funcionário da área administrativa afirmou à polícia que a mulher chegou a dizer que gostaria de “tacar fogo” no profissional. Ainda segundo o relato, ela foi orientada a procurar “as vias legais” caso quisesse contestar o serviço.

Em vídeos gravados após o ataque, a cliente afirmou que a franja havia ficado “parecendo o Cebolinha”, personagem da Turma da Mônica.

“Ele pegou o meu cabelo e foi picotando com uma tesoura-navalha. Minha franja está parecendo o Cebolinha”, disse.

Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a mulher confessou o crime. O caso foi registrado como lesão corporal, ameaça e autolesão no 91º Distrito Policial, o Ceasa, e foi encaminhado ao Juizado Especial Criminal (Jecrim).

No Jecrim, o investigado normalmente é liberado e responde ao processo em liberdade. O caso ainda será analisado pelo Ministério Público e pela Justiça, que podem propor medidas alternativas, como acordos, multas ou prestação de serviços.