Lula acerta com Trump mais 30 dias para tentar acordo e evitar novo tarifaço
Lula e Trump acertaram uma espécie de “prorrogação” nas negociações entre os países, depois de uma recente visita técnica de autoridades diplomáticas brasileiras a Washington
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negociou nesta quinta-feira, dia 7, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um prazo de mais 30 dias para que ambos cheguem a um acordo sobre comércio que possa evitar a nova imposição de um tarifaço ao País.
O petista disse ter proposto esse prazo para que os dois lados apresentem uma proposta, e os presidentes possam decidir sobre a questão comercial. “Quem estiver errado vai ceder”, afirmou Lula, que reclamou do andamento das tratativas entre as burocracias estatais.
Lula e Trump acertaram uma espécie de “prorrogação” nas negociações entre os países, depois de uma recente visita técnica de autoridades diplomáticas brasileiras a Washington, a fim de fazer a última defesa do País na investigação da Seção 301 aberta no ano passado.
O anúncio da conclusão e do resultado da apuração era iminente, após o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) concluir o rito previsto na Lei de Comércio dos EUA. Além de reuniões negociadoras, houve consulta pública e audiência em Washington, no ano passado, com representantes de setores interessados - governos, empresas e entidades patronais.
Essa investigação envolve temas como o Pix, a pirataria na 25 de março, desmatamento, tarifas preferenciais, o mercado do etanol e corrupção. Há uma segunda investigação, aberta em março passado, a respeito de importação de bens produzidos com trabalho forçado. Embora também mencionada na conversa, essa segunda apuração ainda tem uma fase técnica a transcorrer.
Divergência
O presidente brasileiro relatou que a pauta comercial foi a principal “divergência” entre os governos na reunião de cerca de 3 horas, realizada na Casa Branca, de forma totalmente fechada à imprensa, fora do protocolo usual, a pedido do petista.
Trump também afirmou que as tarifas foram um assunto central na reunião. “Nossos representantes devem se reunir para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário”, escreveu nas redes sociais o republicano.
Segundo uma autoridade de governo que testemunhou a conversa reservada, o embaixador Jamieson Greer (chefe do USTR) foi o que mais reclamou de políticas tarifárias do Brasil.
Segundo relatos do governo brasileiro, Greer reclamou que há tarifas no patamar de 12% em determinados produtos, enquanto o Brasil disse aplicar taxas, em média, de 2,7%.
O chefe do USTR se queixou, por exemplo, que o governo Lula bloqueou na Organização Mundial do Comércio (OMC) um acordo para estender sem prazo determinado a moratória sobre transmissões eletrônicas e citou a regulação de big techs como prejudicial a empresas americanas.
O ministro Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) afirmou que ele e Lula pediram que a investigação fosse encerrada. Ele classificou a apuração como uma grande preocupação.
“Estabeleceu-se uma discussão em torno das tarifas efetivas que são aplicadas pelo Brasil e o não cabimento de sobretarifas em relação aos produtos brasileiros. Nós ficamos de nos reunir nos próximos 30 dias para avaliarmos e chegarmos a uma conclusão. Na nossa expectativa, que leve ao encerramento da seção 301?, disse o ministro.
As negociações prorrogadas envolverão o MDIC, o Itamaraty, o Departamento de Comércio e o USTR. O Brasil quer o fim das tarifas e uma “nova regra”, disse o ministro, que permita um crescimento na balança comercial. Ele disse que a proposta foi “bem recebida”.
Para embaixadores, o governo Trump deve usar a apuração como base para instituir novas tarifas a partir de julho, ao fim do prazo de vigência da tarifa global de 10%. Essa sobretaxa vigente foi decretada em fevereiro, após a Suprema Corte americana derrubar o tarifaço de 40%, que fora determinado por Trump em julho passado.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse que os dados do governo brasileiro indicam déficit de US$ 20 bilhões na balança comercial com os EUA, em 2025. Já os dados americanos, alertou o ministro, indicam déficit de US$ 30 bilhões, o que daria “mais razão a nosso pleito”.
Lula disse que os dados da balança sempre geram dúvidas e que os americanos sempre acham que o Brasil cobra taxas excessivas.
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