Justiça

Sobreviventes relatam ataque repentino e suposto crime por ciúmes em júri da morte de Ana Clara

Ana Clara foi assassinada a facadas enquanto tentava intervir em uma agressão contra um adolescente de 17 anos que a acompanhava

Por Wanessa Santos 14/05/2026 13h01 - Atualizado em 14/05/2026 13h01
Sobreviventes relatam ataque repentino e suposto crime por ciúmes em júri da morte de Ana Clara
Julgamento do caso Ana Clara tem início nesta quinta-feira (14) - Foto: Reprodução

Teve início nesta sexta-feira (9) o julgamento do caso da adolescente Ana Clara, morta a facadas após um ataque ocorrido em Santana do Ipanema, no Sertão de Alagoas. O júri é presidido pelo juiz Jader de Medeiros Neto e conta com cinco advogados na defesa dos réus.

Entre os primeiros ouvidos esteve um dos jovens que sobreviveu ao ataque. Durante depoimento, ele afirmou que estava com Ana Clara e amigos em um local afastado da festa quando um carro chegou de forma repentina.

“Ele já chegou e freou em cima de nós, de vez”, relatou.

Segundo o sobrevivente, um homem desceu do veículo com a camisa cobrindo o rosto e iniciou as agressões imediatamente. “Assim que ele desceu, já deu uma facada”, disse.


O jovem contou ainda que Ana Clara mandou que ele corresse após o início do ataque. “Aí ela mandou eu correr, eu corri e não vi mais nada”, afirmou.

Durante o depoimento, o Ministério Público relembrou a versão dada anteriormente pelo adolescente à polícia, na qual ele relatou que o grupo havia conhecido duas meninas na festa e decidiu ir para um ponto mais afastado para conversar.

Ainda conforme o relato, os ocupantes do carro teriam simulado um assalto. No entanto, nenhuma das vítimas foi roubada. O promotor destacou no plenário que “o assalto era o álibi”.

O sobrevivente afirmou também ter ouvido posteriormente, por amigas de Ana Clara, que um dos acusados teria interesse na adolescente, mas não era correspondido. “Esse cabra queria ficar com essa menina, mas ela não queria esse cabra”, disse.

Outro jovem presente no momento do crime também prestou depoimento. Ele confirmou que o carro apareceu poucos minutos após o grupo chegar ao local.

“Os ocupantes da frente já desceram ameaçando”, afirmou.

Segundo ele, um dos homens avançou contra o amigo, enquanto outro foi em sua direção. “Aí eu e a menina saímos correndo e quando chegamos perto da creche vimos a Ana Clara no chão”, relatou.

Questionado pela defesa sobre a possibilidade de uma mulher ter participado diretamente do ataque, o jovem respondeu: “Com certeza era um homem”.

Policiais militares que atuaram na ocorrência também foram ouvidos. Um sargento relatou que as equipes chegaram aos suspeitos após informações repassadas pelos setores de inteligência e pela polícia local.

Segundo o militar, o casal investigado indicou quem teria sido o autor das facadas. “José Jonas e Edineide disseram que o Lailton foi quem deu as facadas que ceifaram a vida da adolescente, embora ele tenha negado”, declarou.

O policial afirmou ainda que uma bainha compatível com a faca usada no crime foi encontrada na casa dos pais do acusado. De acordo com o depoimento, o pai do suspeito tentou justificar o objeto dizendo que seria utilizado em caça.

Outro militar confirmou que, inicialmente, o casal apontou Lailton como autor dos golpes. Já quando foi preso, o acusado teria atribuído participação ao casal. “A Edileide e o namorado disseram que o cidadão tinha matado a menina por ciúmes”, afirmou o PM em plenário.

O julgamento segue com a oitiva de testemunhas e interrogatório dos acusados.