Após quase 30 anos, continua júri de ex-cabo acusado de matar sargento da PM
Sargento Osmário foi sequestrado por homens armados na porta de casa, no Conjunto José Tenório, no bairro da Serraria, em Maceió, em 17 de dezembro de 1999
Teve continuidade nesta sexta-feira (12), no Fórum do Barro Duro, em Maceió, o julgamento do ex-cabo da Polícia Militar de Alagoas (PMAL) Gilmar Galvão da Silva, acusado de assassinar o sargento Osmário Dias Lima Júnior em dezembro de 1999. O júri é presidido pelo juiz Geraldo Cavalcante Amorim, da 9ª Vara Criminal da Capital.
A sessão entrou na fase de debates entre acusação e defesa. O caso tramita há quase três décadas e teve pedido de adiamento por parte da defesa, que não foi acolhido.
O sargento Osmário foi sequestrado por homens armados na porta de casa, no Conjunto José Tenório, no bairro da Serraria, em Maceió, em 17 de dezembro de 1999. O crime ocorreu na frente da filha da vítima, que era criança na época. O corpo do militar foi encontrado quatro dias depois, no município do Pilar.

Atualmente advogada, Cinara, filha do sargento, atua como assistente de acusação ao lado da promotora de Justiça Adilza de Freitas e do advogado Thiago Cavalcante.
Durante sua manifestação no plenário, a promotora destacou a responsabilidade do júri em representar a sociedade e afirmou que a vítima não pode mais apresentar sua versão dos fatos.
"O morto não tem advogado, não pode falar, chorar, apresentar a versão dos fatos. E, se ele não pode fazer isso, hoje a sua filha, o Dr. Thiago e essa promotora é quem vão falar por ele e pela família, para que a verdade não seja enterrada com a vítima", declarou Adilza de Freitas.
A promotora também ressaltou a forma como ocorreu o assassinato. "Todos um dia iremos morrer, mas ninguém tem o direito de perder a vida de forma cruel como foi a morte do sargento Osmário", afirmou.
Em sua sustentação, o advogado Thiago Cavalcante abordou o reconhecimento do acusado realizado pela viúva da vítima, a sargento Nair. Segundo ele, em um primeiro momento, tentou-se atribuir a autoria do crime a outro homem, identificado como Cristiano, hipótese descartada pela viúva.
De acordo com o assistente de acusação, foi a partir das descrições fornecidas por Nair que foi elaborado um retrato falado. Posteriormente, ao ver Gilmar Galvão entre outras pessoas, ela teria entrado em desespero ao reconhecê-lo.
Thiago Cavalcante também relembrou os impactos do crime na família do sargento. Vizinho de Cinara, ele afirmou ter acompanhado os traumas vividos pela filha da vítima ao longo dos anos.
Gilmar Galvão da Silva é ex-cabo da PMAL e responde pela morte do sargento em um caso que se tornou um dos símbolos da atuação de grupos criminosos formados por policiais em Alagoas na década de 1990, conhecidos como "gangue fardada".
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