Cibele Moura repercute tentativa de feminicídio contra mulher que pediu divórcio
Segundo a parlamentar, Alagoas enfrenta dificuldades no enfrentamento à violência de gênero e precisa avançar em ações capazes de impedir novas agressões
A deputada estadual Cibele Moura utilizou a tribuna da Assembleia Legislativa de Alagoas (ALE), durante a sessão desta terça-feira (16), para repercutir a tentativa de feminicídio registrada no último fim de semana em São José da Tapera, no Sertão alagoano.
A parlamentar comentou o ataque sofrido por uma mulher que foi esfaqueada pelo companheiro após manifestar o desejo de se divorciar. O suspeito foi preso em flagrante após receber atendimento médico, e o caso está sendo investigado pela Polícia Civil de Alagoas.
Durante o pronunciamento, Cibele Moura destacou que, segundo as informações divulgadas sobre o caso, a vítima já possuía uma medida protetiva contra o agressor antes da tentativa de feminicídio. Ao abordar o episódio, a deputada questionou a eficácia das medidas protetivas quando não acompanhadas de outros mecanismos mais rigorosos de fiscalização e punição, a exemplo do uso de tornozeleira eletrônica.
“Antes de ela ser esfaqueada, uma medida protetiva já tinha sido expedida. A Justiça já tinha dito para aquele homem não se aproximar daquela mulher. E aí, mais uma vez, é provado que medidas protetivas, isoladamente, não protegem a mulher”, afirmou.
Segundo a parlamentar, Alagoas enfrenta dificuldades no enfrentamento à violência de gênero e precisa avançar em ações capazes de impedir novas agressões.
Cibele Moura defendeu que autores de violência doméstica sejam submetidos a medidas mais severas, especialmente em casos envolvendo ameaças ou agressões contra mulheres. “Para proteger mulher só tem um caminho: botar bandido na cadeia e deixar lá por muito tempo”, declarou.
A deputada também afirmou que o sistema de proteção não pode se limitar à emissão de medidas protetivas sem mecanismos efetivos de monitoramento e fiscalização. “Não adianta pegar um homem que bateu na mulher e entregar um papel dizendo para ele não chegar perto dela. Enquanto a gente não colocar quem bate em mulher atrás das grades, todos os dias eu vou precisar vir aqui denunciar a violência contra a mulher”, disse.
Ao encerrar o pronunciamento, a parlamentar fez um apelo ao Poder Judiciário para que adote medidas mais eficazes na proteção de mulheres vítimas de violência.
“Eu peço mais uma vez para que a Justiça alagoana não se contente com a medida protetiva. Que não se contente com o papelzinho que faz de conta. Na hora do vamos ver, não dá para fazer de conta que essa mulher não foi morta”, afirmou, defendendo que agressores sejam retirados do convívio social como forma de evitar novos casos de violência e feminicídio.
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