Justiça mantém presos instrutores de rope jump após morte de jovem
Tribunal negou o pedido de liberdade dos instrutores após apontar elementos da investigação, como suposta fuga do local e sumiço de câmeras
A Justiça de São Paulo negou, nesta quinta-feira (18/6), o pedido de liberdade feito pela defesa de dois instrutores presos pela morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos. A jovem morreu após ser lançada de uma plataforma durante um salto de rope jump na Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis, no interior do estado, sem que as cordas de segurança estivessem presas.
A decisão foi assinada pelo desembargador Sérgio Mazina Martins, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP). Os instrutores Maicon Fernandes Cintra e Luís Felipe Feliciano Egoroff estão presos preventivamente desde o acidente e permanecerão detidos enquanto as investigações continuam.
No pedido apresentado ao tribunal, a defesa argumentou que a prisão dos dois deveria ser revogada de forma imediata. No entanto, o desembargador entendeu que ainda não há elementos suficientes para conceder a liberdade antes da análise completa do caso.
Ao negar o pedido, o desembargador destacou que a prisão foi determinada pela Justiça de Limeira com base em diferentes fatores apontados pela investigação. Entre eles estão a suposta tentativa de fuga logo após o acidente, a troca de roupas pelos investigados e o desaparecimento de câmeras que poderiam ter registrado o ocorrido.
Segundo a decisão, também é cedo para concluir de que forma os instrutores agiram no momento do salto. O desembargador ressaltou que a investigação ainda está em fase inicial e que laudos técnicos e outras provas importantes ainda não foram concluídos A análise do habeas corpus continuará nos próximos dias.
Entenda o caso
A jovem Maria Eduarda Rodrigues de Freitas de 21 anos morreu após cair de uma altura de 40 metros durante prática conhecida como rope jump.
Vídeos mostram três instrutores levantando a vítima e, em seguida, a jogando da Ponte do Esqueleto, em Limeira, interior de São Paulo.
Praticantes da modalidade percebem que a jovem estava sem cordas. A queda assusta os presentes.
Um amigo da jovem que perdeu a vida na queda ficou em estado de choque ao presenciar o ocorrido e precisou ser internado.
Três instrutores que aparecem nos vídeos foram presos por homicídio com dolo eventual, quando há risco de morrer, mesmo que sem intenção de matar.
A Justiça decidiu que os três permaneceriam presos. A prisão em flagrante foi convertida para preventiva.
Prefeitura proíbe acesso de ponte
Dois dias após a morte de Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, autoridades passaram a discutir medidas para impedir novos acessos à Ponte do Esqueleto, entre Limeira e Cordeirópolis, local onde ocorreu o salto de rope jump que terminou em tragédia.
Em reunião realizada entre representantes da Secretaria do Patrimônio da União (SPU), da Advocacia-Geral da União (AGU) e das prefeituras dos dois municípios, também foi debatida a possibilidade de demolição da estrutura.
Segundo a SPU, os prefeitos de Limeira e Cordeirópolis manifestaram apoio à retirada da ponte e se comprometeram a reforçar os bloqueios já existentes para evitar a entrada de pessoas na área.
Em Limeira, a prefeitura informou que retomou as ações para fechar acessos irregulares ao local e reabrirá uma vala que havia sido criada para impedir a passagem, mas que acabou sendo aterrada sem autorização do município. De acordo com a administração municipal, as medidas atendem a um pedido do governo federal para ampliar a segurança da área enquanto soluções definitivas são avaliadas.
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas morreu por politraumatismo, após queda livre de 40 metros da Ponte do Esqueleto, em Limeira.
Quem era a jovem jogada sem corda em salto de rope jump
Maria Eduarda Rodrigues de Freitas tinha 21 anos e morava em Jandira, na Região Metropolitana de São Paulo. Em seu perfil do Instagram, dizia possuir formação em Educação Física e gestão esportiva. Na plataforma, a jovem costumava compartilhar a rotina de treinos.
Ela trabalhava em uma academia de musculação no município. A empresa publicou uma mensagem de luto, lamentando a perda da colaboradora.
A jovem compartilhou fotos e vídeos pouco antes do salto de rope jump. Em uma das publicações, feita por volta das 7h30, Maria Eduarda mostrou uma foto da Ponte do Esqueleto e escreveu: “Quem foi o doido que deixou eu vir pular de uma ponte?”.
De acordo com o boletim de ocorrência, no momento do salto, Maria Eduarda portava uma câmera GoPro, usada para captar imagens em movimento. O equipamento não foi localizado após a queda.
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