[Vídeo] Mãe emociona ao sair de joelhos com filho que passou 34 dias na UTI
Maria Alicia nasceu com apenas 30 semanas de gestação e 970 gramas em Cruzeiro do Sul
Após 34 dias internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal do Hospital da Mulher e da Criança do Juruá, em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, a pequena Maria Alicia deixou a unidade vestida de Nossa Senhora Aparecida e emocionou familiares e profissionais de saúde.
A cena marcou o cumprimento de uma promessa feita pela mãe da bebê, Rania Maria Santos, de 24 anos, durante o período mais difícil da internação. A promessa da mãe incluiu ainda caminhar de joelhos com a filha nos braços até a saída da UTI.
“É um caminho difícil, cheio de desafios e incertezas, mas cada pequena conquista faz a diferença. Houve momentos em que pensei que não conseguiria seguir em frente, mas aprendi a confiar no processo e a acreditar que dias melhores viriam. Com certeza não vou sair a mesma pessoa que entrei. São muitos aprendizados. O pior já passou e agora só temos a agradecer'', disse.
Com 970 gramas, a recém-nascida precisou ser encaminhada para a UTI Neonatal logo após o parto e segue internada em acompanhamento para ganhar peso.
Rania contou que Maria Alicia nasceu prematura no dia 13 de maio, quando ela estava com apenas 30 semanas de gestação. Rania descobriu que a filha nasceria antes do previsto após procurar atendimento médico devido a uma infecção durante a gravidez.
O nascimento da pequena aconteceu em uma data especial para a Igreja Católica: o dia de Nossa Senhora de Fátima. A data celebra a primeira aparição da virgem Maria aos três pastorinhos, em Fátima, Portugal, em 1917.
“Dei entrada na maternidade para consultar como estava a infecção e recebi a notícia de que estava em trabalho de parto com cinco centímetros de dilatação. Fiquei muito aflita e com medo. Os médicos falavam que, pela idade gestacional, minha filha poderia não sobreviver. Cada vez que eu ouvia aquilo, minha fé ficava mais forte”, relembra.
Segundo a mãe, o diagnóstico foi um dos momentos mais difíceis de toda a gestação. “Foi algo muito forte para uma mãe escutar. Quis me desesperar, mas desde a hora que entrei na maternidade senti o amor de Deus de uma forma extraordinária. Ao invés de perguntar o porquê, coloquei tudo nas mãos de Deus e confiei no milagre”, afirma.
Apesar da prematuridade extrema, Maria Alicia surpreendeu a equipe médica desde os primeiros momentos de vida. A bebê não precisou ser entubada e recebeu apenas suporte com oxigênio antes de ser encaminhada à UTI Neonatal.
Rotina
Foram 34 dias de uma rotina intensa para a família. Mesmo após receber alta médica, Rania contou que retornava ao hospital de três em três horas para retirar e entregar leite materno à filha.
“Eu acordava de três em três horas para tirar leite e levar para ela. Nunca deixei de ir em nenhum horário. Eu era a primeira mãe a chegar e a última a sair. Quando entrava lá e via a Alicia tão pequena, mas tão cheia de vida, lutando para viver, aquilo me dava uma força extraordinária”, conta.
Durante a internação na UTI, um dos momentos que mais abalou a família foi quando médicos identificaram um possível sopro no coração da bebê e que Maria Alicia poderia ser transferida para Rio Branco. Rania recorda que o medo voltou a tomar conta do coração de mãe.
“Fiquei desesperada e com muito medo. Mas, orei muito e fiz um voto com Deus. Depois, o médico disse que não escutava mais nada. Foi mais um milagre para nós”, relata.
Em meio às incertezas, Rania fez a seguinte promessa: se a filha deixasse a UTI sem sequelas, ela saíria de joelhos da UTI e vestiria a bebê de Nossa Senhora Aparecida, a qual é devota.
A roupa usada por Maria Alicia também tem um significado especial. Segundo a mãe, a ideia surgiu antes mesmo da promessa. “Eu nunca perdi a fé. Orava todos os dias e pedia a intercessão de Maria. Eu já queria fazer a roupinha. Depois fiz a promessa de sair de joelhos e completei com a roupa de Nossa Senhora”, diz.
O momento da alta emocionou quem acompanhou a história da família. Ao lado do marido, Rodrigo Santos, de 23 anos, Rania cumpriu a promessa enquanto deixava a UTI com a filha nos braços.
Fé e esperança
Hoje, Maria Alicia segue recebendo acompanhamento pelo método canguru devido ao baixo peso, mas de acordo com a mãe, apresenta bom estado de saúde. “Fora isso, é perfeita. Todos os exames deram normais. O estado de saúde dela é perfeito”, afirma.
Ao olhar para a filha depois de toda a luta enfrentada, Rania diz que a experiência transformou sua vida. Ela acredita também que jamais será a mesma pessoa após a experiência vivida com a filha e o marido.
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