Violência

Comoção marca despedida de diácono morto ao tentar proteger a filha em AL

Velório reuniu dezenas de pessoas que prestaram as últimas homenagens ao diácono, lembrado por familiares e pela comunidade como um homem íntegro, pacífico e dedicado à fé

Por Wanessa Santos 26/06/2026 10h10 - Atualizado em 26/06/2026 10h10
Comoção marca despedida de diácono morto ao tentar proteger a filha em AL
José Paulino foi morto na noite da última terça-feira (23), no bairro Hélio Jatobá, em São Miguel dos Campos - Foto: Arquivo pessoal

Sob forte comoção, familiares, amigos e membros da igreja se despediram, nessa quinta-feira (25), de José Paulino do Nascimento Filho, diácono da Assembleia de Deus assassinado ao tentar defender a filha de um ataque praticado pelo ex-companheiro dela, em São Miguel dos Campos.

O velório reuniu dezenas de pessoas que prestaram as últimas homenagens ao diácono, lembrado por familiares e pela comunidade como um homem íntegro, pacífico e dedicado à fé. Em meio às lágrimas, parentes relataram o choque diante da violência do crime e reforçaram o pedido para que o responsável seja punido.

Em entrevista à TV Gazeta de Alagoas, um dos sobrinhos descreveu José Paulino como um exemplo dentro da família. Segundo ele, o tio costumava orientar os parentes com conselhos baseados nos ensinamentos cristãos e era conhecido pelo jeito tranquilo.

"Ele era um cara bom, não mexia com ninguém. Todo mundo dizia que ele não fazia mal nem a uma mosca. Era uma pessoa sossegada, evangélica, muito querida. Era o mais velho da nossa família", afirmou.

Outro familiar contou que recebeu a notícia enquanto trabalhava e descreveu o momento como um dos mais difíceis da vida. Já uma parente disse que ficou sem reação ao saber do assassinato e precisou entregar o celular ao marido por não conseguir continuar a ligação.

O irmão da vítima afirmou que José Paulino jamais merecia ter um fim tão violento. Emocionado, ele revelou que o diácono evitava comentar as ameaças sofridas pela família para não preocupar os parentes.

"Meu irmão era tudo para mim. Um homem invade a casa dele, mata meu irmão, atira na minha cunhada e na minha sobrinha. Ele não merecia morrer."

Vizinhos também demonstraram pesar e carinho pelo idoso. Um deles contou que, ao chegar do trabalho e descobrir o que havia acontecido, precisou ser contido pela esposa.

"Foi um pai que eu não tive. Ele nunca dizia não para ninguém. Vai ficar marcado para sempre na minha vida."

Durante o velório, familiares também atualizaram o estado de saúde das outras vítimas do ataque. A filha de José Paulino segue internada em estado grave após passar por cirurgia, enquanto a esposa apresenta evolução no quadro clínico.

Representando a Assembleia de Deus, um pastor destacou a trajetória do diácono e afirmou que sua morte abalou não apenas a igreja, mas toda a população de São Miguel dos Campos.

"O irmão Paulino era um homem nobre, digno, simples, humilde e de uma dignidade excepcional. É uma perda irreparável para a igreja e para toda a comunidade."

Em meio ao luto,  familiares da vítima demonstraram indignação diante do crime. Eles cobram justiça pela morte do diácono e pelos ferimentos causados à esposa e à filha.

"Ele era uma pessoa boa. Não merecia passar por isso. O que nossa família pede é justiça", declarou um dos parentes.

O crime


José Paulino foi morto na noite da última terça-feira (23), no bairro Hélio Jatobá, em São Miguel dos Campos. Segundo as investigações, ele tentou proteger a filha durante uma discussão com o ex-companheiro dela e acabou atingido por disparos de arma de fogo.

A esposa do diácono e a filha também foram baleadas e permanecem sob cuidados médicos no Hospital Geral do Estado (HGE), em Maceió.

O suspeito foi preso em flagrante e encaminhado à delegacia, onde permanece à disposição da Justiça. Conforme a Polícia Civil, a mulher já vinha sofrendo ameaças em razão do relacionamento conturbado com o investigado.