Saúde

[Vídeo] Consumo de ultraprocessados pode estar associado a sintomas depressivos

Pesquisa brasileira com quase 16 mil adultos encontrou relação entre alimentação baseada em produtos industrializados e o surgimento de sintomas depressivos

Por Giulianna Albuquerque com Danielle Ferro 03/09/2026 15h03 - Atualizado em 03/09/2026 18h06
[Vídeo] Consumo de ultraprocessados pode estar associado a sintomas depressivos
Médica nutróloga Eline Soriano - Foto: Gerson BlaBla/7Segundos

O que vai ao prato pode influenciar não apenas a saúde do corpo, mas também o bem-estar mental. Um estudo brasileiro realizado com quase 16 mil adultos encontrou uma associação entre o consumo de alimentos ultraprocessados e o surgimento de sintomas depressivos. A relação pode estar ligada aos processos inflamatórios provocados por esse tipo de alimentação e aos impactos sobre a microbiota intestinal.

De acordo com a médica nutróloga Eline Soriano, os alimentos ultraprocessados geralmente apresentam maior quantidade de açúcar, gordura e aditivos, características que podem contribuir para processos inflamatórios no organismo. “Os alimentos que causam inflamação, os ultraprocessados, que são industrializados, são alimentos que têm conservantes, maior teor de gordura e geralmente maior teor de açúcar. Eles causam inflamação”, explicou.

Segundo a especialista, a inflamação está relacionada a diferentes alterações no organismo e pode ter ligação com transtornos de humor, como depressão e ansiedade. “A inflamação é a base dos transtornos mentais, inclusive a depressão. Então, está muito relacionado uma alimentação inflamatória com a depressão, com o transtorno de ansiedade”, afirmou.

Relação entre intestino e cérebro


A médica também destacou a importância da microbiota intestinal para o equilíbrio do organismo. O chamado eixo intestino-cérebro representa uma via de comunicação entre o sistema gastrointestinal e o sistema nervoso central. “A gente precisa de uma saúde intestinal saudável para que você tenha um humor estável, sem transtornos mentais. Existe até um eixo de comunicação, o eixo cérebro-intestino”, explicou Eline.

De acordo com ela, alterações no intestino podem contribuir para sinais inflamatórios que chegam ao cérebro e influenciam o humor. Por isso, uma alimentação rica em fibras, vitaminas e minerais pode ajudar a manter o equilíbrio da microbiota. “Quando é uma alimentação saudável, por exemplo, rica em fibra, vitaminas e minerais, ela equilibra mais esse intestino”, disse.

O que colocar no prato


Entre os alimentos que podem fazer parte de uma alimentação mais equilibrada estão frutas, verduras, grãos integrais, lentilha, chia e peixes ricos em ômega-3. “Alimentos como ômega-3, um peixe, um peixe de águas profundas como um atum, também têm aditivos que são anti-inflamatórios”, afirmou a nutróloga.

A recomendação é reduzir o consumo de produtos ultraprocessados, açúcares e doces, além de diminuir a frequência da carne vermelha e priorizar carnes brancas, como peixe e frango. “Diminuir carne vermelha, consumir no máximo duas vezes por semana, optar mais por carnes brancas, que seriam o peixe e o frango”, orientou.

A especialista também reforçou a importância das fibras para o funcionamento intestinal e destacou que a alimentação deve estar associada a outros hábitos saudáveis. “Começar com alimentação equilibrada, rica em verduras, em frutas, grãos integrais, adicionar uma lentilha, uma chia na alimentação, porque fibras ajudam o intestino”, destacou.

Além da alimentação, a prática regular de atividade física também pode contribuir para a manutenção da saúde mental. Para Eline Soriano, mudanças simples na rotina podem ajudar na prevenção de problemas relacionados ao bem-estar físico e emocional. “É tender aí uma alimentação saudável, azeite extravirgem, que é um azeite mais anti-inflamatório, e exercício físico também conserva aí a saúde mental”, concluiu.

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