Polícia

Família de mulher morta durante abordagem contesta versão apresentada pela guarnição

Defesa dos policiais afirma que militar reagiu após ser ameaçado

Por Erick Balbino/7Segundos 08/09/2026 10h10 - Atualizado em 08/09/2026 10h10
Família de mulher morta durante abordagem contesta versão apresentada pela guarnição
Família de mulher morta durante abordagem contesta versão apresentada pela guarnição - Foto: Reprodução/Acervo Pessoal

A investigação sobre a morte de Amanda Ruanny Lopes da Silva, de 32 anos, baleada durante uma ocorrência policial no bairro Jacintinho, em Maceió, deve esclarecer as circunstâncias que antecederam o disparo efetuado por um policial militar. Enquanto a defesa dos agentes sustenta que o tiro ocorreu após uma situação de ameaça e que a reação pode ter sido caracterizada como legítima defesa, familiares da vítima contestam essa versão e afirmam que Amanda não tentou tomar a arma do militar.

A divergência entre os relatos passou a ser um dos principais pontos do caso. Segundo a Polícia Militar de Alagoas, Amanda teria discutido com um dos agentes durante a abordagem, ultrapassado o perímetro de segurança, empurrado o policial e tentado pegar a arma que ele utilizava. Diante da suposta ameaça, o militar teria efetuado um único disparo, atingindo a mulher.

A defesa dos policiais apresentou entendimento semelhante. De acordo com o advogado Napoleão Júnior, os militares haviam sido acionados após uma informação sobre pessoas que estariam envolvidas com tráfico de drogas. Durante a abordagem, quatro mulheres teriam se aproximado para questionar a ação policial e, segundo o advogado, Amanda teria gritado, xingado os agentes e tentado impedir a ocorrência. Para a defesa, a reação do policial ocorreu diante de um risco à sua integridade física.

Os familiares, porém, negam que Amanda tenha tentado retirar a arma do militar. Segundo o relato da família, ela teria se aproximado dos policiais após uma familiar ser tratada de forma ofensiva durante a abordagem. Ainda conforme os parentes, Amanda teria sido empurrada pelo agente e, na sequência, atingida pelo disparo. A família sustenta que a mulher foi baleada na porta de casa e questiona a versão apresentada pela corporação.

Outro ponto que deverá ser esclarecido pela investigação é a dinâmica exata da ocorrência e o que aconteceu nos instantes que antecederam o tiro. A localização dos envolvidos, a distância entre Amanda e o policial, a sequência de movimentos durante a abordagem e as circunstâncias em que a arma foi acionada estão entre os elementos que podem ajudar a esclarecer o caso.

A Polícia Militar informou que, após o atendimento à vítima, outra equipe permaneceu no local e encontrou uma sacola contendo 30 pinos de cocaína nas proximidades. A corporação afirmou que segue os protocolos operacionais e os princípios legais que orientam a atividade policial, além de declarar que não compactua com eventuais arbitrariedades.

Os policiais envolvidos já prestaram depoimento à Polícia Civil e, segundo a defesa, permanecem em atividade. O caso também é acompanhado pelo Ministério Público de Alagoas, que deverá analisar os elementos reunidos durante a apuração.

Amanda foi enterrada na segunda-feira (7), dois dias após ser baleada. A família continua cobrando esclarecimentos sobre a ocorrência e espera que a investigação determine se a conduta adotada pelo policial no momento do disparo foi compatível com as circunstâncias apresentadas pelos agentes ou se houve excesso na abordagem.

Até o momento, as versões apresentadas pelas partes são divergentes, e a conclusão sobre a responsabilidade pelo disparo depende do avanço das investigações e da análise das provas reunidas pelas autoridades.