MPAL acompanha investigação sobre morte de mulher baleada durante abordagem policial
Familiares contestam versão apresentada pela Polícia Militar de Alagoas
O Ministério Público de Alagoas (MP-AL) acompanha a investigação sobre a morte de Amanda Ruanne Lopes da Silva, de 32 anos, baleada por um policial militar durante uma ocorrência no bairro Jacintinho, em Maceió. A mulher morreu no sábado (5) e foi sepultada na segunda-feira (7), em meio à revolta de familiares, que cobram esclarecimentos sobre as circunstâncias do disparo.
A promotora de Justiça Carla Padilha informou que o MP-AL tomou conhecimento do caso por meio da imprensa e solicitou informações à Polícia Civil. Entre os pontos que serão apurados estão a dinâmica da abordagem, a necessidade do uso da arma de fogo e se a atuação do militar ocorreu dentro dos limites estabelecidos pela legislação. Amanda era mãe de dois filhos.
As circunstâncias da ocorrência ainda são alvo de versões distintas. Familiares e testemunhas relatam que Amanda teria sido abordada em frente à própria residência depois de retornar de um barbeiro acompanhada de um dos filhos. Segundo esse relato, ela teria sido empurrada pelo policial antes de ser atingida pelo disparo. Durante o sepultamento, uma prima da vítima classificou o episódio como “muita covardia”.
Já a Polícia Militar sustenta que os agentes realizavam a abordagem de um homem suspeito de envolvimento com drogas, apontado como primo de Amanda. Conforme o relato registrado pela corporação, um grupo de mulheres teria avançado contra um dos policiais e tentado retirar a arma do militar. O agente afirmou que efetuou o disparo para proteger a própria integridade física.
O Ministério Público também pretende verificar a existência de imagens das câmeras corporais utilizadas pelos policiais. Segundo a promotora, o órgão recebeu a informação de que alguns agentes utilizavam equipamentos particulares durante a ocorrência, mas que eles teriam sido desligados. Outro ponto sob análise é o atendimento prestado após o disparo: Amanda foi transportada em uma viatura policial, e o MP-AL quer esclarecer por que o Samu não foi acionado.
Além do inquérito policial, serão avaliados o laudo do exame cadavérico e demais elementos da investigação. Após a conclusão da apuração, o promotor com atuação no Tribunal do Júri deverá analisar as circunstâncias da morte e verificar se há elementos que justifiquem eventual denúncia contra o policial responsável pelo disparo. Até o momento, o Ministério Público não antecipou qualquer conclusão sobre a conduta do militar.
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