[Vídeo] Música ajuda crianças autistas a desenvolver comunicação e autonomia
Musicoterapeuta Bruno Lima explica como sons, ritmos e instrumentos podem contribuir para o desenvolvimento
A música pode ir muito além do entretenimento para crianças autistas. Sons, ritmos e instrumentos podem ser utilizados como ferramentas terapêuticas para estimular a comunicação, a interação, a concentração e a expressão.
De acordo com o musicoterapeuta Bruno Lima, cada criança possui necessidades específicas e, por isso, o tratamento é planejado de forma individualizada. “Cada criança tem um objetivo específico, então a gente consegue atingir esse objetivo através da música, de uma maneira mais leve e sem ela perceber. A gente faz uma avaliação e consegue entender quais são as necessidades da criança”, explicou.
Segundo o profissional, habilidades como contato visual, fala, repetição de movimentos e interação podem ser trabalhadas durante as sessões. “De maneira muito lúdica, a gente consegue atingir os objetivos. A musicoterapia ajuda o fonoaudiólogo, ajuda o psicólogo e outras áreas. A gente vai traçando esses objetivos terapêuticos e, com a música, vai auxiliando até chegar neles”, afirmou.

Experiência
Maria Valentina tem 6 anos, é autista com necessidade de suporte nível 2 e faz musicoterapia há quatro anos. Para a mãe, Jussara Costa, o contato da filha com a música trouxe mudanças importantes para o desenvolvimento e para a rotina da família.
Jussara conta que, antes do início da terapia, Maria apresentava grande sensibilidade a determinados sons, o que dificultava até mesmo a permanência em ambientes públicos. “Ela não suportava sons, algumas notas. Na época eu fiquei com certo receio porque ela desorganizava muito, principalmente notas de vozes. Era muito complicado sair com ela em ambientes públicos, que tinham muita gente conversando e alguns sons”, relatou.
Com o acompanhamento, a mãe passou a perceber avanços em diferentes áreas, principalmente na comunicação e na concentração. “A gente conseguiu fazer com que Maria desenvolvesse em muitas áreas, o motor, a concentração e a comunicação. Através da música, a gente conseguiu fazer com que ela principalmente contasse coisas que aconteciam, que a gente não tinha essa evolução dela anteriormente”, contou Jussara.
A família também identificou quais estilos musicais ajudavam Maria a se concentrar e se organizar. Entre eles, estavam os tons mais leves e o forró antigo. “Ela se identificava bem com os tons mais leves e com o forró antigo, e conseguia se concentrar e até mesmo se organizar para viajar. Com a música, a gente conseguia fazer com que ela ficasse na cadeirinha e seguisse viagem tranquila, sem se desorganizar”, explicou.
Para Jussara, o processo é gradual e exige acompanhamento individualizado. “É um trabalho formiguinha. O profissional que está ali com a criança vai descobrindo, através das notas e dos movimentos, quais são as notas suportáveis e o que é que a criança vai conseguir evoluir”, destacou.

Ferramenta terapêutica
Bruno Lima reforça que a musicoterapia não deve ser confundida com uma atividade recreativa. A proposta é utilizar a música de maneira planejada para alcançar objetivos terapêuticos. “A musicoterapia não é um tipo de recreação. É um trabalho sério, em que a gente consegue atingir realmente aquilo que precisa ser atingido com as crianças”, afirmou.
O profissional destaca ainda que a busca pela autonomia é um dos objetivos do acompanhamento. “Todo pai quer que a criança se desenvolva e tenha essa independência, essa autonomia. Então, a musicoterapia chega nesses objetivos de maneira muito lúdica, muito simples e muito leve, que é o que a música faz”, completou.
Assista a reportagem:
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