Polícia

Como o 'Boss' gerenciava tráfico nacional diretamente da Jatiúca

Investigação revela que roubo de celular em Fortaleza e rotina luxuosa em Maceió desmoronaram um esquema criminoso milionário

Por 7Segundos 28/09/2026 09h09 - Atualizado em 28/09/2026 10h10
Como o 'Boss' gerenciava tráfico nacional diretamente da Jatiúca
Boss foi preso na Operação Ícarus, em Alagoas. - Foto: Foto: Reprodução/PCERJ

O paraíso das águas cristalinas de Maceió escondia um dos maiores braços do crime organizado nacional. Vivendo uma vida de luxo, com objetos e roupas caras, porém sem chamar a atenção pelos seus negócios escusos, Laércio Isidoro Nascimento Jr, o Boss, comandava um esquema de tráfico interestadual de mais de R$ 70 milhões.

Preso na última terça-feira (22), pela Polícia Civil de Alagoas
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Boss gerenciava remessas de tráficos de entorpecentes, funcionando como uma espécie de “ponte” que ligava a distribuição em vários estados, em especial Rio de Janeiro e São Paulo. Tudo isso em uma cobertura de alto luxo na Jatiúca, em Maceió.

Durante 2 anos, vivendo sob o anonimato, Boss possuia diversos aparelhos de celulares, cada um para um fim específico, como forma de despistar investigações. Mas um deslize inesperado fez com que o esquema ruísse.

Durante uma passagem por Fortaleza, o suspeito teve seu celular corporativo roubado, fazendo com que ele passasse a usar um outro dispositivo para realizar as transações criminosas. Como o novo celular estava configurado para realizar o backup automático de dados e arquivos diretamente da nuvem, isso permitiu que a investigação, liderada pela Polícia Civil do Rio de Janeiro, cruzasse dados e descobrisse seu paradeiro na capital alagoana.

Religiosidade e criminalidade


O envolvimento de Boss ganhou força quando a polícia apreendeu cadernos de contabilidade de Marcos Antônio Firmino da Silva, o My Thor. Mesmo detido no Paraná, a liderança mantinha registros de pagamentos direcionados à Boss.

Dentro do apartamento de alto padrão na Jatiúca, os agentes da PC-AL apreenderam uma mala que continha R$100 mil em espécie, além de objetos de luxo, como óculos, tênis e relógios.

Em áudios recuperados do aparelho, alguns chamaram a atenção pelo tom religioso. Em conversa com um pastor, celebrava quando cargas haviam escapado da fiscalização policial, atribuindo o sucesso a profecias e livramentos.