Moradores de Gaza invadem instalação da ONU para pegar farinha
Agência de assistência a refugiados alerta para sinais de ruptura da ordem civil depois de 3 semanas de guerra
Milhares de moradores das regiões central e sul da Faixa de Gaza invadiram centros de distribuição de alimentos da ONU (Organização das Nações Unidas). Segundo a organização, eles levaram farinha de trigo, produtos de higiene e outros itens básicos.
“Esse é um sinal preocupante de que a ordem civil está começando a ruir depois de 3 semanas de guerra e de um cerco apertado a Gaza. As pessoas estão assustadas, frustradas e desesperadas. As tensões e o medo são agravados pelos cortes nas linhas de telefones e no sinal de internet. Eles sentem que estão sozinhos, isolados das suas famílias dentro de Gaza e no resto do mundo”, disse Thomas White, diretor da UNRWA (agência da ONU para assistência a refugiados da Palestina, na sigla em inglês) na Faixa de Gaza.
Em comunicado, o braço da ONU no Oriente Médio afirmou que o deslocamento maciço de pessoas do norte da Faixa de Gaza para o sul, conforme orientado pelo governo de Israel, contribui para a piora do fornecimento de alimentos e itens básicos de sobrevivência.
“Os fornecimentos no mercado estão se esgotando, enquanto a ajuda humanitária que chega à Faixa de Gaza em caminhões vindos do Egito é insuficiente. As necessidades das comunidades são imensas, mesmo que apenas para a sobrevivência básica, enquanto a ajuda que recebemos é escassa e inconsistente”, acrescentou White.
De acordo com a ONU, até a manhã deste domingo (29.out.2023), pouco mais de 80 caminhões com ajuda humanitária entraram em Gaza. No sábado (28.out.2023) não houve operação por causa do “apagão” nas comunicações.
“O atual sistema de ajuda humanitária está fadado ao fracasso. Poucos caminhões, processos lentos, inspeções rigorosas, fornecimentos que não correspondem aos requisitos da UNRWA e de outras organizações de ajuda e, principalmente, o corte contínuo de combustível são uma receita para um sistema fracassado”, disse White.
A agência pediu que seja criada uma linha de fluxo regular de fornecimentos humanitários para a Faixa de Gaza para responder às necessidades dos moradores, especialmente à medida que as tensões aumentam.
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