Surto de ebola pode ser um dos maiores da história, apontam cientistas
Na República Democrática do Congo, o epicentro do surto atual, 452 pessoas foram diagnosticadas com ebola e 82 já morreram com a doença
Em meio a crise sanitária provocada por ebola na África, pesquisadores dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) apontaram que, se medidas não forem tomadas, o surto atual de ebola pode se tornar um dos maiores da história. O alerta foi divulgado nessa semana.
Somente em 24 horas, a República Democrática do Congo confirmou mais 71 novos casos de ebola no país. No total, 452 pessoas já foram diagnosticadas e 82 já morreram devido ao surto. As informações foram divulgadas nessa sexta-feira (5).
Ainda segundo o CDC, acredita-se que a cepa Bundibugyo, a linhagem rara e letal responsável pelo surto, já estava em circulação no Congo entre janeiro e fevereiro, dois a três antes de quando o primeiro caso suspeito foi relatado.
Segundo os cientistas, em um contexto hipotético de que apenas 20% dos infectados são detectados e isolados com rapidez, há 65% de chances do número de casos ser maior que 20 mil nos próximos três meses. Em contrapartida, se a identificação e o isolamento ocorrerem de forma rápida, o risco de um cenário tão catastrófico cai drasticamente.
Para conter a situação, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o CDC da África, instituição vinculada à União Africana, anunciaram uma ação para arrecadar U$ 518 milhões (cerca de R$ 2,67 bilhões, na cotação atual) para os países africanos.
A medida visa ajudar os locais mais afetados a terem mais recursos para identificar e responder com mais agilidade e eficácia a novos casos da doença. Atualmente, não há vacinas ou outro tratamento para a cepa Bundibugyo.
Como ebola é transmitido e por que controle é difícil
De acordo com Ministério da Saúde, a transmissão do ebola ocorre através do contato direto com sangue, secreções ou outros fluidos corporais de pessoas ou animais infectados, incluindo fezes, urina, saliva, leite materno e sêmen. Além disso, o contato também pode acontecer por meio de superfícies e objetos contaminados ou do contato com corpos de pessoas mortas pelo vírus.
Assim que infectada, na fase inicial da doença, a pessoa costuma apresentar sintomas como febre repentina, cansaço intenso, dor muscular e dor de cabeça. A progressão do quadro eleva a gravidade dos sintomas, podendo causar vômitos, diarreia, lesões na pele e alterações no funcionamento do fígado e dos rins. Em alguns casos, pode haver intercorrências de coagulação e sangramentos internos ou externos.
Como o surto está ocorrendo em locais com estrutura hospital precária, o controle se torna mais complicado. Por lá, também há zonas de conflitos armados, prejudicando o acesso das equipes médicas a algumas áreas.
Além do Congo, Uganda, o país vizinho, já registrou 19 casos de ebola. O receio das autoridades é que o vírus se espalhe por outras nações africanas, tornando o trabalho para evitar a disseminação mais difícil.
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