Eleições

É falso que interrupção na divulgação tenha fraudado resultado do 1º turno

Pausa no aplicativo e na página de divulgação dos resultados não tem relação com o processo de totalização dos votos

Por 7segundos, com assessoria 06/10/2026 16h04 - Atualizado em 06/10/2026 16h04
É falso que interrupção na divulgação tenha fraudado resultado do 1º turno
É falso que a interrupção na divulgação dos resultados tenha fraudado o resultado do 1º turno para presidente - Foto: Assessoria

Circulam nas redes sociais mensagens e vídeos afirmando que houve fraude nos resultados da votação para presidente no 1º turno das Eleições 2026. A informação é falsa.

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) esclarece que, na noite de 4 de outubro, uma contenção no processamento de dados paralisou um dos módulos dos sistemas utilizados para divulgar os resultados na internet. O problema afetou somente a visualização “Brasil”, que apresenta o resultado nacional para presidente e vice-presidente da República. A situação foi normalizada às 20h04. O programa de divulgação pausou inesperadamente em razão do aumento no volume de dados ocorrido por volta de 19:14. Nova rotina técnica está em desenvolvimento para evitar interrupções.

A visualização estadual, por sua vez, não foi afetada e continuou a apresentar, sem interrupção, os resultados parciais para presidente e vice-presidente em cada unidade da Federação. A interrupção, portanto, afetou a divulgação dos resultados, mas não a apuração dos votos nem a totalização.

A apuração é feita pela urna eletrônica em cada seção, e a totalização corresponde à soma desses resultados. Os resultados registrados pelas urnas permanecem preservados.

O que é fato?


Na noite do 1º turno das Eleições 2026, em 4 de outubro, uma contenção no processamento de dados em um dos módulos dos sistemas utilizados na etapa de divulgação de resultados prejudicou o fluxo de divulgação dos resultados para os cargos de presidente e vice-presidente da República.

Para compreender o que ocorreu, é útil distinguir três etapas:

Apuração: é feita pela própria urna eletrônica, em cada seção, ao fim da votação.
Totalização: é a soma dos resultados apurados em cada seção.
Divulgação dos resultados na internet: é uma etapa posterior, destinada a tornar os resultados disponíveis ao público.
Após o encerramento da votação nas urnas eletrônicas, às 17h, a Justiça Eleitoral executa diferentes processamentos de dados simultaneamente, entre eles:

Transmissão dos boletins de urna (BU): documentos que registram o resultado da votação de cada seção.
Recebimento dos boletins de urna no centro de processamento de dados da Justiça Eleitoral.
Divulgação dos boletins de urna na internet, para interessados em refazer a totalização.
Processamento dos boletins de urna.
Sustentação de sistemas gerenciais e de acompanhamento.
Cálculo de totalizações.
Geração de arquivos de divulgação de resultados.
Quando o percentual de dados divulgados para presidente e vice-presidente atingiu 64,81%, a contenção paralisou o módulo responsável por gerar os arquivos de divulgação desses cargos na visualização “Brasil”. Esse módulo correspondia ao item 7 da lista acima, relacionado à geração dos arquivos utilizados na divulgação dos resultados.

A paralisação, portanto, ocorreu em uma etapa de divulgação dos resultados na internet e não interrompeu a apuração dos votos pelas urnas eletrônicas nem o cálculo das totalizações.

A contenção não afetou a geração dos arquivos da visualização estadual. Esses arquivos também continham os dados de votação para presidente e vice-presidente. Por isso, os resultados parciais desses cargos continuaram a ser publicados sem interrupção, distribuídos por unidade da Federação.

A geração dos arquivos da visualização “Brasil” foi restabelecida às 20h04 e, a partir desse momento, seguiu sem novas interrupções.

Os outros seis processamentos listados não foram prejudicados. Isso significa que, durante a interrupção, os boletins de urna continuaram a ser transmitidos, recebidos, processados e publicados na internet, e os sistemas gerenciais e de acompanhamento seguiram funcionando. O cálculo de totalizações também continuou normalmente, exceto por um breve momento em que foi suspenso, conforme o protocolo de segurança, que exige a verificação individual dos sistemas.

Por que uma interrupção na divulgação não altera os resultados?

As eleições brasileiras têm uma característica importante: os resultados de cada urna tornam-se públicos às 17h, em todo o país, no encerramento da votação, conforme o art. 127 da Resolução TSE nº 23.751, de 26 de fevereiro de 2026 (Atos Gerais do Processo Eleitoral para as Eleições 2026). Nesse momento, são impressas cinco vias do boletim de urna.

O BU informa os votos registrados na seção, quantos eleitores estavam aptos a votar e quantos não compareceram. O documento é assinado pelos fiscais de partidos presentes, que podem levar uma via, se quiserem. Além disso, uma das vias é obrigatoriamente afixada na entrada da seção.

Também é possível conferir se o resultado publicado pelo TSE corresponde ao da urna. O BU impresso em cada seção traz um QR Code com os dados da votação. Qualquer cidadão ou entidade fiscalizadora pode comparar esses dados com o resultado da mesma seção divulgado pelo TSE na internet. A leitura do QR Code pode ser feita pelos aplicativos Boletim na Mão ou o aplicativo e-Título.

Assim, como o resultado de cada seção já é público, inclusive em papel, a totalização consiste em somar esses resultados. Essa soma pode ser refeita por entidades interessadas. Para isso, o TSE publica na internet cada boletim de urna assim que o recebe (item 3 da lista acima).

Portanto, a interrupção na divulgação dos resultados na visualização “Brasil” não altera os resultados registrados pelas urnas. Os resultados das urnas estão preservados e expressam fielmente a vontade das eleitoras e dos eleitores. Eles estão disponíveis no aplicativo aplicativo Resultados e na página resultados.tse.jus.br, na aba Arquivos de Urna.

Vale destacar ainda que, conforme o artigo 262 da Resolução TSE 23.751, de 26 de fevereiro de 2026, as entidades fiscalizadoras podem acompanhar de perto o processo eleitoral, fiscalizando os procedimentos técnicos que se seguem ao encerramento da votação no ambiente onde são gerenciadas as totalizações.

Quanto à contenção observada, a equipe técnica da Secretaria de Tecnologia da Informação do Tribunal Superior Eleitoral (STI/TSE) conduz investigação técnica para o adequado diagnóstico da intercorrência. Os estudos foram iniciados na mesma noite, de forma a assegurar que isso não volte a ocorrer no 2º turno.

Conteúdo analisado


Circulam nas redes sociais mensagens e vídeos que afirmam, sem provas, que houve fraude na votação para presidente no 1º turno das Eleições 2026. A informação é falsa.

Por que é boato?


A contenção no processamento de dados ocorreu na geração dos arquivos de divulgação de resultados, e não na totalização.

A contenção afetou apenas a visualização “Brasil”. A visualização estadual funcionou normalmente durante todo o período de divulgação.

Os resultados registrados pelas urnas estão preservados e expressam fielmente a vontade das eleitoras e dos eleitores.

A apuração é feita pela urna eletrônica na própria seção eleitoral, com a emissão do BU, que é afixado na entrada da seção. A totalização consiste na soma dos resultados apurados em cada seção. A divulgação dos resultados na internet ocorre posteriormente.

Qualquer cidadão ou entidade fiscalizadora pode verificar se o resultado apurado pela urna de uma seção corresponde ao resultado divulgado pelo TSE.

Essa verificação pode ser feita com os aplicativos Boletim na Mão e e-Título, que leem o QR Code do BU impresso em cada seção. Os resultados também estão disponíveis no aplicativo Resultados e na página resultados.tse.jus.br, na aba Arquivos de Urna.

O sistema eletrônico de votação permanece auditável e seguro, tendo passado por mais de 40 auditorias e testes que atestam sua confiabilidade.

Todo o processo eleitoral é acompanhado de perto pelas entidades fiscalizadoras, que participam do desenvolvimento dos sistemas, de sua lacração, inseminação das urnas e que também podem fiscalizar os procedimentos técnicos que se seguem ao encerramento da votação no ambiente onde são gerenciadas as totalizações.