[Vídeo] Fogão a lenha: famílias mais pobres de Palmeira economizam gás para driblar inflação
Inflação é 20% maior para famílias mais pobres comparando aos mais ricos
Dona Maria mora no Bairro São Francisco em Palmeira dos Índios. Ela trocou o gás de cozinha pelo fogão a lenha há pelo menos dois meses. Foi a saída para economizar diante do orçamento cada vez mais apertado. Ela recebe apenas um benefício do governo para manter alimentação, conta de luz e remédios que precisa.
"Eu não posso deixar de pagar minha água e luz pra comprar o botijão, por isso tenho que queimar lenha. Tenho que deixar de pagar o botijão para comprar um pedacinho de carne pra eu comer porque eu não posso comer puro. E de noite se der vontade de comer eu ligo a luz e venho pra fora. Que as coisas melhorem pra nós todos, não só pra mim, mas pra todos.” disse ela.
O aumento no custo da energia elétrica, do gás de botijão e dos alimentos elevou a inflação das famílias mais pobres em 20% nos últimos 12 meses, segundo o Instituto de Economia Aplicada (IPEA). A alternativa para as famílias mais carentes é diminuir os custos dentro de casa, como a Dona Maria está fazendo.
A melhora que a Dona Maria tanto deseja parece estar longe de acontecer. Na distribuidora de gás a previsão é de mais aumento no botijão que já é vendido a 105 reais. “Temos tentado cortar custos, buscar melhorias e rever nossas politicas de preços por conta que tá ficando difícil com esses aumentos que vem ocorrendo mensalmente. Inclusive de agosto para setembro houve uma diminuição de aproximadamente 15% nas vendas de botijão. A gente tem tentado manter nosso quadro de funcionários, mas tá difícil.” Disse o gerente José Adelson.
O economista Jeferson Conceição ajuda a entender a origem desses aumentos e indica que as coisas só devem começar a melhorar no ano que vem. “Os preços vêm aumentando nos últimos tempos devido ao aumento do dólar que vai aumentar os preços dos principais documentos como milho e soja. Então eles ficam mais caros na mesa do brasileiro. A previsão é que ano que vem as coisas melhorem um pouco. Se a pandemia continuar controlada, a tendência é que a gente tenha uma inflação bem menor. Esse ano a tendência é quer a inflação chegue a 8,6%.”
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