Corpo encontrado em linha férrea na Utinga é de sergipano desaparecido, diz IML de Alagoas
Trabalho integrado de antropologia forense das unidades de medicina legal de Arapiraca e Maceió identificaram a vítima
A luta de uma família sergipana na busca de um parente desaparecido se encerrou após um trabalho integrado realizado pelos setores de antropologia forense dos Institutos Médicos Legais de Alagoas. Foram vários dias fazendo buscas em unidades hospitalares e delegacias, até que eles decidiram procurar o IML de Arapiraca, órgão da Polícia Científica.
O primeiro contato com a unidade de medicina legal do Agreste foi no mês de março por telefone com a técnica forense Dayane Moreira, chefe de custódia do órgão que responde pelo setor de fotografias de corpos não identificados. Os familiares passaram algumas informações e características do jovem desaparecido e explicaram que o último contato dele teria sido no mês de março, mas não sabiam o endereço dele quando sumiu em Alagoas.
Mesmo com poucas informações, a chefe de custódia realizou buscas nos arquivos fotográficos de corpos não identificados que deram entrada no IML de Arapiraca. A técnica forense também pediu para a equipe do IML de Maceió fazer o mesmo tipo de levantamento, mas ambas tentativas de buscas deram negativas.
“Desde o primeiro contato, diante de tudo que foi apresentado, à distância, já que eles moram no município de Riachuelo, em Sergipe, não medimos esforços para dar uma resposta a essa família. Orientei a registrarem o boletim de ocorrência, a fornecer material genético para o projeto Desaparecidos e a partir de então todos os corpos que davam entrada no IML eram comparados com as fotos fornecidas pela família”, explicou Dayane Moreira.
No final do mês de junho, familiares do desaparecido compareceram pessoalmente ao IML de Arapiraca e através de novas informações e fotografias mais objetivas fornecidas pela mãe foi possível realizar uma busca mais ampla nos registros de corpos não identificados. Esse trabalho integrado de antropologia forense, realizado pelos dois IMLs de Alagoas, apresentou um resultado positivo. O corpo de José Vitor Santos da Silva, de 20 anos de idade, foi localizado no IML de Maceió.
Segundo a perita odontolegista Cláudia Ferreira Melo, o cadáver dele havia dado entrada no IML da capital no dia 11 de março deste ano. O corpo de José Vitor foi encontrado em um trecho da linha de trem que passa nas terras da usina Utinga, entre os municípios de Satuba e Rio.
O exame cadavérico realizado pela perita médica legista Maria Goretti Praxedes Leal apontou que ele foi vítima de projetil de arma de fogo e de politraumatismo por atropelamento do trem. As fotografias do corpo feitas no dia do exame cadavérico e arquivadas no bando de dados de cadáveres não identificados do IML de Maceió foram determinantes para a identificação do corpo pela família.
“Não é a melhor notícia para passar a uma família, mas acredito que seja um conforto para os familiares que estão realizando uma busca incessante, muitas vezes sem nenhum tipo de informação, onde essa procura por muitas vezes pode durar anos. Se não houvesse essa comunicação entre os IMLs, e a iniciativa das buscas não haveria o êxito em encontrar o corpo e fechar esse ciclo para a família”, afirmou a técnica forense.
Com a confirmação da identificação oficial, o IML de Arapiraca entrou em contato com a família em Sergipe. Os familiares compareceram ao IML de Maceió, realizaram todos os procedimentos necessários e o corpo de João Vitor foi liberado no último dia 27 de junho para sepultamento.
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