Dono da Choquei está em presídio de segurança máxima após operação
Raphael estava preso na sede da Polícia Federal, em Goiânia, desde o dia 15
O criador da página Choquei, Raphael Sousa Oliveira, de 31 anos, preso em uma operação que investiga supostas transações ilegais de R$ 1,6 bilhão, está no Núcleo Especial de Custódia do Complexo Prisional Policial Penal Daniella Cruvinel, unidade de segurança máxima, segundo a Polícia Penal.
De acordo com o núcleo, o influenciador segue a mesma rotina dos demais presos do sistema prisional goiano, com direito a quatro refeições diárias, sendo café da manhã, almoço, jantar e ceia. Raphael também pode tomar duas horas de banho de sol por dia e receber até duas visitas por mês.
Em nota, o advogado Pedro Paulo Medeiros, responsável pela defesa de Raphael, informou no sábado (18) que entrou com habeas corpus no TRF-3, em regime de plantão, pedindo a soltura imediata do influenciador. Segundo ele, a prisão é injustificável, já que as diligências foram concluídas e não há fundamentação individualizada. A defesa também afirma que a atuação com publicidade é legal e que seguirá adotando medidas para reverter a custódia.
Raphael estava preso na sede da Polícia Federal, em Goiânia, desde o dia 15. A prisão ocorreu durante a Operação Narco Fluxo, deflagrada pela PF em nove estados. Segundo a investigação, ele atua como operador de mídia de uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e estelionato digital, recebendo valores de outros investigados.
A Polícia Federal aponta ainda que o influenciador integra a estrutura investigada, que tem Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, como principal beneficiário econômico do esquema.
Transferência para o presídio
Na tarde de sexta-feira (17), Raphael foi transferido para o presídio em Aparecida de Goiânia. Segundo o advogado Frederico Moreira, que integra a equipe de defesa, a Justiça negou o pedido de revogação da prisão do influenciador.
Ao g1, o advogdo informou que na decisão, o juiz responsável fundamentou a negativa alegando ser necessário aguardar o avanço da apuração para proferir uma decisão com maior segurança, evitando qualquer prejuízo ao andamento do processo.
O advogado disse ainda que já havia impetrado um Habeas Corpus e o pedido de revogação, mas, diante da decisão em primeira instância, a equipe jurídica agora avalia a viabilidade de novos recursos.
“Em primeira instância isso já está decidido. Vamos avaliar a viabilidade agora”, disse Frederico.
Valores recebidos e versão da defesa
Segundo a investigação, Raphael recebeu R$ 370 mil do funkeiro MC Ryan SP por serviços de publicidade. De acordo com o advogado Frederico Moreira, que representa o influenciador, em entrevista ao g1, os valores foram questionados pelo delegado Hugo Lisita durante o depoimento.
Do montante, R$ 270 mil foram identificados em movimentações entre 2024 e 2025 e R$ 100 mil como sendo uma transferência vinda de uma pessoa desconhecida.
“O Raphael suspeita que seja um terceiro que tenha pago algo em favor do MC Ryan”, disse o advogado.
Segundo Frederico, o influenciador não se lembra do nome do autor da transferência, mas acredita que seja um terceiro que tenha pago esse valor pelo MC Ryan, prática que acontece no meio artístico.
“O contratante fala que tem uma pessoa que está devendo a ele ou que também está participando do projeto artístico ou musical e que essa pessoa fará um ou outro pagamento para ajudar no custeio das despesas”, afirmou Moreira.
Papel na organização investigada
No pedido de busca e apreensão da 5ª Vara Federal de Santos, obtido pelo g1, consta que sua função 'consiste, em tese, na divulgação de conteúdos favoráveis ao artista e na promoção de plataformas de apostas e rifas, além de potencialmente atuar na mitigação de crises de imagem relacionadas às investigações'.
Também foram presos o influenciador Chrys Dias, que tem quase 15 milhões de seguidores, e outros produtores de conteúdo. Os suspeitos teriam movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão.
A operação
De acordo com decisão da 5ª Vara Federal de Santos, o influenciador atuava como 'operador de mídia', utilizando o alcance de sua plataforma digital para gerir a imagem do grupo e promover atividades ilícitas.
A operação apura uma organização criminosa suspeita de lavar dinheiro em escala bilionária por meio de apostas ilegais, rifas digitais, empresas de fachada, contas bancárias de terceiros e criptoativos.
No centro do esquema, a investigação aponta Ryan Santana dos Santos (MC Ryan SP) como principal beneficiário, com apoio de operadores financeiros, contadores, intermediários, empresas de marketing, produtoras musicais e plataformas de pagamento.
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