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Grupo mata professora e arranca dedos dela para sacar dinheiro na Bahia

Crime ocorreu no dia 7 de junho

Por 7Segundos, com UOL 25/07/2026 12h12 - Atualizado em 25/07/2026 12h12
Grupo mata professora e arranca dedos dela para sacar dinheiro na Bahia
Professora aposentada de Vivaldina Jesus Bonfim - Foto: Arquivo Pessoal

A Polícia Civil da Bahia (PCBA) concluiu a investigação sobre a morte da professora aposentada Vivaldina Jesus Bonfim, 64, assassinada a golpes de picareta em sua casa, no município de Santa Rita de Cássia, no oeste do estado, no dia 7 de junho.

Ela foi vítima de latrocínio (roubo seguido de morte), e os quatro suspeitos estão presos desde os dias 20 de junho e 3 de julho. Eles foram indiciados nessa quinta-feira (23) também pelo crime de associação criminosa.

A investigação apontou que, além do roubo de bens e dinheiro da casa, Vivaldina teve quatro dedos da mão direita arrancados, que foram usados nos dias seguintes para a realização de três saques em caixa eletrônico de um banco, que totalizaram R$ 18 mil. A ação foi filmada e ajudou a polícia a identificar os autores.

O crime

Segundo o delegado Leonardo Mendes, o crime chocou a cidade. "Ela era uma senhora que tinha uma condição financeira razoável, era aposentada e dona de fazenda de gado. Era muito benquista na cidade e ajudava sempre as pessoas mais humildes. Se alguém chegasse com fome e pedisse comida, ela deixava entrar em casa e dava comida", conta.

O delegado afirma que a ideia de roubar a professora partiu da afilhada dela, Maria Eunice Leite de Souza, uma das indiciadas. Ela contou aos comparsas que Vivaldina tinha um quarto na casa que permanecia sempre fechado e cuja chave ficava no bolso da roupa da professora. "Ninguém tinha acesso a esse cômodo, e essa afilhada colocou na cabeça que era ali que ela guardava joias e dinheiro."

Na véspera do crime, Vivaldina pediu à afilhada que indicasse um pedreiro para fazer uma reforma na cozinha. "Ela então sugere o genro [Cristiano Machado de Oliveira] que se alia ao marido da afilhada, João de Souza Andrade. Os dois vão à casa dela", relata.

Ao chegarem à residência, os dois passam a agredir Vivaldina com pauladas usando o cabo de uma picareta. "Ela cai desorientada, começa a agonizar, e eles passam então a torturá-la para que entregasse a chave. Vivaldina resiste, começa a gritar, e eles colocam um pano na boca dela", explica. "Vendo que ela não ia colaborar, Cristiano então desfere golpes com a picareta, que atingem o pescoço. Ela sangra até a morte no local."

O delegado afirma que, enquanto a professora agonizava, os dois homens fizeram uma videochamada e mostraram a vítima às respectivas esposas. "Eles dão risada. Isso foi um ponto decisivo para o pedido de prisão preventiva deles."

Após a morte da vítima, as mulheres chegam à casa e passam a ajudar os companheiros. "A vítima foi arrastada do quintal para o banheiro da casa. Já com a participação das duas mulheres, eles subtraem cartões e o celular e, em seguida, arrancam os dedos e os colocam em um recipiente com gelo", diz o delegado.

Ida ao banco

Na manhã seguinte ao crime, Cristiano e sua esposa, Vitória Souza dos Santos, deixam Santa Rita em um carro de transporte irregular de passageiros e seguem para Barreiras, a 198 km da cidade.

Segundo o delegado, ao chegar ao destino, Cristiano deixou a esposa na feira livre e foi até uma agência do Banco do Brasil, onde realizou o primeiro saque de R$ 6 mil. Depois disso, o casal almoçou e retornou à agência para um segundo saque no mesmo valor.

"Eles então dormem na cidade, onde fica a casa da mãe de Cristiano. Na manhã do dia seguinte fazem um terceiro saque. À tarde, tentam um quarto, mas a digital já não conseguia mais ser reconhecida pelo leitor, talvez por causa do estado de putrefação", explica.

Segundo a polícia, a decisão de realizar os saques foi um "erro crasso". "Quando nosso setor de inteligência descobriu a movimentação, acionou o Banco do Brasil, que repassou as imagens. Com isso, conseguimos cruzar os dados e descobrir onde Cristiano estava e onde trabalhava."

Em nota, o Banco do Brasil lamentou o episódio e diz que "segue acompanhando o caso e apoia as autoridades competentes, com as quais colabora no âmbito das investigações."

Celular arremessado

Após os saques, eles voltaram para Santa Rita e desbloquearam o celular da vítima. Ao tentar revendê-lo, porém, um comprador desconfiou que o aparelho era roubado, e eles decidiram jogá-lo fora.

"Esse celular foi arremessado no trevo do município de Riachão das Neves [a 114 km de distância]. Um carreteiro o encontrou e o ligou em Cruz das Almas [a 1.110 km de distância], e nós estávamos rastreando o aparelho. Conseguimos localizar esse motorista, que informou ter encontrado o celular quando parou para urinar no local", explica o delegado.

Depois de receber as imagens das câmeras do banco, a polícia pediu a prisão de Cristiano, que foi detido no dia 20 de junho.

Os dados indicaram que o aparelho telefônico dele esteve em Santa Rita de Cássia no horário do crime e, posteriormente, nas proximidades da agência bancária onde ocorreu a utilização do cartão.

Cristiano negou participação no crime e apontou como suposto autor um sobrinho da vítima.

"Mas o levamos para uma acareação, e Cristiano sequer soube reconhecer quem era o sobrinho, o que nos deu a certeza de que aquilo era apenas uma tentativa de despistar a polícia."

Com todos os suspeitos presos, o delegado diz que Vitória decidiu colaborar com a investigação e confessou que o quarteto praticou o crime, relatando detalhes que ajudaram na elucidação do caso.