Bastidores
Candidaturas “poka-urnas” recebem até 400 mil do fundão eleitoral
Fundo especial de financiamento de campanha não tem critérios para distribuição de recursos

A divulgação, esta semana, dos valores recebidos até o momento pelos candidatos alagoanos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), ou simplesmente o Fundão, é uma mostra do derrame de dinheiro público em que se tornaram as eleições de 2022.
O fundão veio para substituir o financiamento privado de campanhas, um dos principais legados da operação Lava-Jato no país. Com a criminalização das doações privadas de grandes empresas, imaginava-se que finalmente os candidatos fossem optar por campanhas mais “franciscanas”, com os pés mais fincados na realidade do povo a quem pedem votos.
Ledo engano. Em vez disso, no fisiológico parlamento brasileiro, deu-se origem ao FEFC, que em outras palavras, significa o povo pagando as milionárias campanhas dos candidatos a presidente, governadores, senadores, deputados federais e estaduais.
O fundão deu também total liberdade às burocracias partidárias de distribuírem à vontade seus gordos recursos - oriundos dos impostos pagos pelo povo. Significa que a campanha mais rica das eleições não é aquela mais engajada, mas a daquele candidato que for “amigo do rei”, ou seja, que tiver mais poder ou mais proximidade com os dirigentes partidários que mandam na grana.
Isto explica, por exemplo, o derrame de dinheiro a candidaturas que raramente passarão de 5 mil votos - mas que receberam 400 mil reais dos partidos. Outras receberam 200 mil, outras 100 mil… a grande massa de cidadãos alagoanos tem ideia do que sejam esses valores?
Enquanto isso, na vida real, 30 milhões de brasileiros passam fome, e dão tchauzinho para as caminhadas bancadas com o dinheiro que lhes deveria garantir o básico.
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