Polícia investiga fraude no BID, ex-jogador do ASA, Petros e Corinthians são citados
O famoso Boletim Informativo Diário (BID) da CBF está na mira da Polícia Civil do Rio de Janeiro. A Delegacia de Defraudações (DDEF) investiga denúncia de que o sistema teria sido fraudado em pelo menos duas negociações recentes: a transferência do jogador Wanderson de Macedo Costa, do ASA de Arapiraca (AL) para a Penapolense (SP), em 2015, e a renovação do ex-jogador do Corinthians com o clube, Petros, em 2014. Ambos são representados por Fernando Garcia, empresário e investidor da Penapolense e do Hortolândia (SP), a quem o ex-corinthiano pertencia.
Garcia, que já foi conselheiro vitalício do Corinthians, tem parte dos direitos federativos ou atua como agente ou investidor de nove jogadores do atual elenco do clube, incluindo os atacantes André e Lucca, o goleiro Walter e o meia-atacante Marlone.
Como parte das investigações, a polícia vai enviar ofícios à entidade pedindo uma série de explicações. Entre os pontos que a delegacia quer esclarecer, está como o atleta conseguiu ser registrado no BID como atleta da Penapolense um dia antes de assinar efetivamente o contrato, e antes de encerrar seu vínculo com o ASA.
"Já vemos indícios de falsidade ideológica e vamos checar as denúncias de fraude. Estamos esperando que a CBF responda o que precisa ser explicado", disse o delegado responsável pelo procedimento, Ricardo Barboza.
O caso foi enviado à polícia pela Justiça de Santa Catarina, que teve, entre outras fontes, um relatório feito pelos advogados de um outro empresário, Acionir Barreto, antigo representante de Wanderson. Ele afirma não ter recebido comissão na transferência. O processo aguarda sentença.
De acordo com o documento, "houve uma explícita situação de fraude pela CBF em conluio com os clubes: Penapolense Futebol Clube e Paraná Esporte Clube (sic)".
O Paraná foi o segundo clube para o qual o atacante se transferiu após se desvincular do ASA, tendo antes passado pela Ponte Preta. Ele não chegou a ser aproveitado no time paranaense e foi dispensado posteriomente.
O documento diz ainda que a entidade foi "conivente" com as práticas do empresário Fernando Garcia e que o mesmo exerce "tráfico de influência" junto à CBF. Segundo a denúncia, o atual sistema de registros é informatizado e não permite dois contratos vigindo ao mesmo tempo, "a não ser que haja CORRUPÇÃO OU MANIPULAÇÃO (sic)"
O caso de Petros foi semelhante. O jogador pertencia ao Hortolândia, de Fernando Garcia, e estava emprestado ao Corinthians. Sua renovação com o clube foi assinada no dia 2 de agosto de 2014, mas teve o documento registrado no dia anterior. Na época, o caso foi analisado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) que não viu irregularidade. O Corinthians foi absolvido e a CBF multada.
O então presidente da Federação Paulista de Futebol e hoje presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, atribuiu o erro a "uma funcionária" da FPF. Segundo ele, ela teria errado no preenchimento dos documentos.
Hortolândia é investigado por lucro de R$ 2,7 milhões sem jogar
Semana passada, o jornal Folha de S.Paulo revelou que o Ministério Público investiga a atuação do Hortolândia, que mesmo estando de portas fechadas desde 2014, apresentou um superavit de R$ 2,7 milhões em 2015. Segundo a reportagem, a venda de atletas rendeu ao clube R$ 10 milhões, dos quais, cerca de R$ 8 milhões foram repassados a empresários.
Na denúncia em mãos da polícia do Rio, a Penapolense, pertencente ao mesmo grupo do Hortolândia, é chamado de "barriga de aluguel", isto é, clube que existe apenas para registrar jogadores de futebol, para servir financeiramente aos seus investidores.
CBF afirma que não há fraude
Procurado pelo Blog, Fernando Garcia respondeu: "Desconheço qualquer coisa sobre esse assunto, não conheço nenhum funcionário da CBF e nem da Federação, não sei como poderia me beneficiar de algo".
O Paraná afirmou não ter sido comunicado deste procedimento e prefere não se manifestar.
O advogado dlo jogador Wanderson, Aldo Kurle, disse que as denúncias fazem parte de um "descontrole" do ex-representante do jogador, Acionir Barreto.
A advogada de Acionir, Patrícia Brunel, quem redigiu a denúncia à Justiça catarinense, disse que seu cliente teve "o direito aviltado", não recebeu o que deveria pela transferência. Ela reafirmou que os "BIDs foram deliberadamente adulterados para prender" o jogador ao clube do qual Fernando Garcia é investidor.
A CBF informou que "não recebeu qualquer notificação a respeito, tampouco houve pedido de esclarecimento por nenhum dos órgãos mencionados por você. Quanto ao jogador citado, não há qualquer fraude em seu registro".
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