Jogos da NBA nesta quarta são adiados por protesto por justiça racial nos EUA
Os três jogos da fase dos playoffs da NBA que seriam disputados nesta quarta-feira (26) foram adiados após um boicote do time Milwaukee Bucks contra a injustiça racial nos Estados Unidos. O time desistiu de entrar em quadra nesta quarta, para o jogo programado contra o Orlando Magic, que poderia classificá-lo para a próxima fase da NBA.
Após as decisão do Bucks, as outras duas partidas previstas para hoje foram adiadas. Os jogos seriam entre Houston Rockets e Oklahoma City Thunder e entre Los Angeles Lakers e Portland Trail Blazers.
A ação acontece após a polícia de Wisconsin atirar em Jacob Blake, um homem negro que estava com os três filhos pequenos, na cidade de Kenosha — ele está paralisado da cintura para baixo. A ocorrência fizeram eclodir em uma série de protestos nos EUA.
“Jogadores de toda a liga têm afirmado que mais ações precisam ser tomadas para efetuar mudanças sociais após o recente tiroteio policial contra Jacob Blake”, afirmou a liga nacional de basquete.
O vice-presidente sênior do Milwaukee, Alexander Lasry, afirmou em seu Twitter que "algumas coisas são maiores que basquete". "A mudança precisa acontecer. Eu estou incrivelmente orgulhoso dos nossos jogadores e nós os apoiamos 100%, prontos para ajudar a trazer mudanças reais."
"Eu, meus jogadores e o nosso time estão muito perturbados pelo que está acontecendo em Kenosha", disse o técnico do Bucks, Mike Budenholzer, mais cedo nesta quarta-feira. "É um desafio ter esse desejo de mudança, de algo diferente e melhor em Kenosha, Milwaukee e Wisconsin e então ir lá e jogar um jogo", completou o treinador.
A analista de esportes da CNN internacional Christine Brennan classificou protesto como de grandes proporções. "Nós raramos vemos algo assim no mundo dos esportes. Quando atletas vão a algo extremo assim, eles sabem que as vozes deles serão ouvidas, quando outras não estão sendo."
O caso Jacob Blake
Blake, de 29 anos, pai de seis filhos, foi atingido por trás à queima-roupa por policiais que o seguiam com armas em punho enquanto ele se afastava em direção a seu carro. Ele estava com os filhos de 3, 5 e 8 anos de idade, que o aguardavam no carro. Em depoimento, a noiva de Blake afirma ter apelado aos policiais para que não atirassem na frente das crianças.
Um espectador registrou a cena em um vídeo que imediatamente se tornou viral, desencadeando a indignação sobre o último de uma longa série de casos em que a polícia foi acusada de usar força letal indiscriminada contra afro-americanos.
Blake, que tentava acabar com uma briga entre duas mulheres, foi atingido por quatro dos sete tiros disparados contra ele, todos por um policial, e "não havia indicação de que ele estivesse armado", disse Crump em entrevista à ABC News. A polícia não explicou por que Blake foi baleado.
Em uma entrevista coletiva no final do dia, os pais de Blake expressaram angústia com a abordagem policial em seu filho enquanto condenavam duas noites anteriores de saques, vandalismo e incêndio criminoso que ofuscaram protestos de rua pacíficos.
Blake está paralisado da cintura para baixo, em condição que ainda não se sabe se é permanente. Segundo o advogado Ben Crump, que representa a família, "será preciso um milagre para que Blake ande de novo". Crump foi o advogado da família de George Floyd, homem morto pela polícia de Minneapolis em maio, caso que provocou uma semana de protestos.
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