Alagoas

Polícia alagoana é qualificada para atuar em operações com baixa luminosidade

Por 7 Segundos com Agência Alagoas 05/06/2015 13h01

Despontando como a primeira no Brasil a possuir o título de capacitada para trabalhar com operações em condições adversas de ambiente, a polícia de Alagoas garante precisão nas abordagens e nos confrontos em locais sem luz [solar ou elétrica], através das técnicas desenvolvidas no Curso de Operações em Baixa Luminosidade, oferecido pela Academia da Polícia Militar do Estado de Alagoas. Em apenas duas semanas de prática e ampliação do conhecimento com novas táticas, 30 policiais, entre PMs e PCs, encontram-se aptos para atuação.

Além de garantir instruções fundamentais para o trabalho com equipamento de proteção individual, sem que os agentes operacionais das forças de segurança do estado precisem sacar arma de fogo, esse pioneirismo auxilia a maioria do trabalho da segurança pública de Alagoas, visto que, segundo informações da PM, 60% das ocorrências acontecem em horários com baixa ou sem iluminação.

O curso é realizado em um quarto escuro de um alojamento militar abandonado, as janelas são lacradas com tijolos e papelão, impedindo que entrem muitos raios de luz, contribuindo para uma aprendizagem completa. Durante a simulação, os policiais armados colocam a lanterna tática direcionada para o suposto infrator, apontando feixes de luz, permitindo ele tonteei, facilitando o confronto.

"Movimentos articulados e sincronizados de todas as lanternas e o posicionamento dos policiais, ombro a ombro, causam uma ilusão ótica capaz de confundir o eventual criminoso, encurralando e o rendendo. Gritos, barulho com bater de botas ou palmas, estouros de bombas distraem os sentidos, enquanto o policial se aproxima", explicou o major Enio Bolivar de Albuquerque, subcomandante do Batalhão de Operações Especiais, especialista no assunto e instrutor de treinamento.

Ainda para Bolivar a aplicação desse curso mostra um avanço sem precedentes para segurança pública alagoana. Todas as estratégias de incursões ensinadas capacitam o policial para defender melhor a sociedade e a própria vida, legitimando a segurança das operações.

A soldado Gabriele Melo, lotada no 4° BPM/AL, destacou a importância de saber lidar com situações de risco devido a falta de luz. Ela conta que certa vez, enquanto fazia uma ronda noturna, no bairro do Clima Bom, onde já havia sido confirmada uma ocorrência, em um beco muito escuro, a falta de conhecimento das técnicas de manuseio do equipamento para entrar em determinados recintos, pôs sua vida em perigo e, por conta disso, decidiu aperfeiçoar suas habilidades para superar esse tipo de dificuldade nas eventualidades do dia a dia.

Resultado – Confirmando resultados positivos, o aluno da primeira turma do Curso de Operações em Baixa Luminosidade, o soldado Pedro Tenório, assegurou que todo conhecimento foi inovador e já o ajudou durante um patrulhamento na Vila Brejal, conhecida região de Maceió pela falta de infraestrutura. Uma senhora abordou a viatura pedindo socorro, porque ela havia sido assaltada e agredida por um jovem armado com uma faca. Ela informou aos policiais que tinha visto o agressor invadindo um barraco abandonado, naquela região. A equipe policial desembarcou da viatura já utilizando as técnicas aprendidas no curso e mesmo com o lugar completamente escuro, foi possível imobilizar o indivíduo e cessar a ameaça apenas com o uso das lanternas táticas. Não foi necessário sacar nenhuma arma de fogo, nem usar a força bruta.

Edital e curso - A inscrição para curso foi divulgada por meio de um edital do Comando da Policia Militar, no Diário Oficial do Estado (DOE). Os candidatos passaram por uma prova de inspeção de saúde, um teste físico, seguido por outra avaliação física, realizada pela Polícia Militar, e outro exame físico específico aplicado pela equipe do treinamento. Após a seleção dos melhores índices, o agente, finalmente, estará apto a participar do curso.
Segundo o edital de inscrição deste ano, 80 policiais se candidataram ao curso. Para a primeira turma houve 40 inscritos para 30 vagas, ou seja, o número de interessados praticamente dobrou e a tendência é que a procura cresça muito mais.