FBI identifica suspeito de matar nove em igreja de comunidade negra nos EUA
Depois de uma intensa caçada policia, o FBI identificou o suspeito de matar nove pessoas em uma histórica igreja da comunidade negra no centro de Charleston, na Carolina do Sul. O atirador de 21 anos se chama Dylan Storm Roof e teria ganhado uma arma de seu pai no último aniversário. O pastor do templo, o senador estadual Clementa Pinckney, e sua irmã estão entre os mortos. Seis mulheres e três homens morreram no ataque.
Os disparos aconteceram na noite de quarta-feira na Igreja Metodista Episcopal Africana Emanuel, uma das mais antigas da comunidade negra de Charleston. Uma das sobreviventes contou ter sido poupada pelo assassino para "viver para contar o que aconteceu". Segundo outras testemunhas, o jovem disse que estava no templo para atirar nos negros, informou a polícia.
A região foi isolada por volta das 21h (hora local), com várias viaturas policiais e ambulâncias. Havia uma suspeita de bomba no local do ataque, próximo ao Charleston Marriott Hotel, mas o chefe da polícia da cidade, Gregory Mullen, disse que não foram encontrados explosivos.
— Havia oito mortos dentro da igreja. Duas pessoas feridas foram levadas ao hospital e uma faleceu. No momento, temos nove vítimas fatais deste crime de ódio — afirmou Mullen. — Esta é claramente uma tragédia na cidade de Charleston.
Na manhã desta quinta-feira, a polícia divulgou imagem de Roof e disse que ele ainda pode estar na área. Ele estaria vestindo moletom cinza, calça jeans e botas.
Segundo as autoridades, o jovem já foi preso duas vezes: em 1º de março por porte de drogas e em 26 de abril por invasão. O tio do atirador Carson Cowles disse em entrevista que o jovem é "tranquilo" e de fala mansa, e ganhou uma arma de seu pai no aniversário de 21 anos.
Além do Departamento de Polícia de Charleston, o FBI também participa das investigações. Segundo a polícia, o suspeito estava na igreja participando de uma reunião e ficou por quase uma hora antes de iniciar os disparos. Ele foi visto saindo da igreja em um carro preto de quatro portas, de acordo com as imagens reveladas pelas câmeras de segurança.
O prefeito Joseph Riley Jr. anunciou uma recompensa por informações que levem à prisão do atirador.
— Para entrar em uma igreja e atirar em alguém é um ato de puro ódio — afirmou o prefeito.
As autoridades municipais ainda não divulgaram informações sobre as vítimas e não disseram quantas pessoas estavam na igreja durante os disparos.
"Não há covarde maior do que um criminoso que entra em uma casa de Deus e mata pessoas inocentes envolvidas em estudos bíblicos", disse em um comunicado o presidente da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP), Cornell William Brook.
HILLARY E JEB BUSH ESTAVAM NA CIDADE
Nas primeiras horas após o ataque, a polícia impediu jornalistas e transeuntes de se aproximarem da igreja. Muitos eram repórteres que foram à cidade para cobrir eventos de campanha de Hillary Clinton e Jeb Bush.
A equipe de Jeb Bush, ex-governador da Flórida que está buscando a nomeação republicana para a disputa da Casa Branca, informou o cancelamento de todas as aparições previstas do candidato para esta quinta-feira em Charleston por causa do crime.
EUA-18-06Hillary, candidata democrata, também estava na cidade na quarta-feira, mas um assessor disse que ela tinha deixado a cidade antes do ataque.
Em um comunicado, a governadora da Carolina do Sul, Nikki R. Haley, afirmou que ela e sua família estavam orando pelas vítimas.
"Enquanto nós ainda não sabemos todos os detalhes, sabemos que nunca vamos entender o que motiva alguém a entrar em um dos nossos locais de culto e tirar a vida do outro", lamentou a governadora.
PASTOR MORTO ERA 'UM LÍDER INCANSÁVEL'
James Todd Rutherford, que foi membro da Assembleia Legislativa do Estado junto com o reverendo Pinckney, descreveu o pastor como um líder incansável, de voz potente e uma missão para cumprir.
— Ele foi chamado para o ministério quando tinha 13 anos, ordenado aos 18 anos, eleito para a Câmara aos 23 e para o Senado aos 27 — recordou Rutherford. — Ele era um homem movido pelo serviço público.
Mais cedo, testemunhas disseram à rede TV americana CNN que havia muitos corpos dentro da igreja que não foram identificados.
— Isso é terrível. É um cenário muito triste — disse um pastor.
Um homem chegou a ser preso com descrição semelhante ao do suspeito de ter realizado o ataque, mas foi liberado.
A Igreja Metodista Episcopal Africana Emanuel foi construída em 1891 quando membros afro-americanos da Igreja de Charleston criaram sua própria congregação e é uma das mais antigas da cidade. Todas as noites de quarta-feira há um estudo bíblico no local. O edifício neogótico é considerado uma construção historicamente significativa, de acordo com o Serviço Nacional de Parques.
Em 1822, um dos co-fundadores da igreja, Denmark Vesey, tentou fomentar uma rebelião de escravos em Charleston, diz o site da igreja. A trama foi frustrada pelas autoridades e 35 pessoas foram executadas, incluindo Vesey.
Após o ataque, um grupo de pastores se ajoelhou e orou em frente à igreja.
— A questão é: Por que Deus? — questionou um religioso durante a oração.
O crime supõe um novo golpe para a comunidade negra nos Estados Unidos, que nos últimos meses tem sido vítima de crimes aparentemente motivados pelo racismo, em particular homicídios cometidos por policiais brancos contra homens negros desarmados. Foi o caso de Ferguson em 2014 e o de Baltimore há algumas semanas, além de vários crimes semelhantes cometidos em Charleston no ano passado que desencadearam tensões raciais em todo o país.
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