Projeto fortalece protagonismo de pessoas com sofrimento mental
Arte! Sempre uma ferramenta eficiente de inserção. Seja qual for a época, as pessoas continuam a buscá-la para se identificar e relacionar com suas emoções e com o mundo, libertando-se de suas amarras sociais.
Pensando nas muitas possibilidades dessa poderosa ferramenta, o Núcleo de Saúde Mental da Secretaria de Estado da Saúde e o Laboratório Alagoano de Teatro do Oprimido, em parceria com o Instituto Zumbi dos Palmares e financiamento do Ministério da Saúde, realizam no Espaço Cultural Linda Mascarenhas a oficina "Teatro do Oprimido na Saúde Mental: Expressão, Alternativas e Avanços".
Destinada a cerca de 40 pessoas, dentre usuários e familiares da Rede de Atenção Psicossocial do Ministério da Saúde, a iniciativa foi selecionada num edital nacional para projetos de fortalecimento do protagonismo de pessoas que possuem sofrimento mental e/ou problemas decorrentes do uso de álcool e outras drogas.
Giselle Torres, uma das facilitadoras da oficina, explica que a intenção é trabalhar temáticas com que os participantes lidam no seu dia a dia. "O Teatro do Oprimido é uma modalidade única, porque ela deixa de ser um teatro tradicional e dá o espaço para quem é oprimido ter oportunidade de expressão. Os próprios participantes é que elegem as histórias a partir da opressão cotidiana que eles sofrem e vamos buscar formas de enfrentamento dessa opressão através da arte", esclarece Giselle.
Inserção social
A coordenadora do projeto, a terapeuta ocupacional Claudete Lins, aponta que o Teatro do Oprimido vem sendo usado há bastante tempo no universo da saúde mental e que se revelou uma técnica que pode ajudar muito na inserção social de pessoas com sofrimento mental, por trabalhar justamente o seu protagonismo na sociedade.
"Escrevemos o projeto com a intenção de usá-lo como um veículo de controle social, que pudesse servir para emancipá-los politicamente e fazer com que a sociedade e o governo possam enxergar as necessidades deles. Essas pessoas têm necessidades reais em relação à questão, por exemplo, do trabalho", explica. "Há uma série de temáticas que o Teatro do Oprimido pode dar conta e que o mercado capitalista não comporta, como a economia solidária, discriminação. e é isso que a gente quer: fortalecer o protagonismo dessas pessoas na sociedade", declara Claudete.
A oficina trabalhará com, pelo menos 30 pessoas com sofrimento mental dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) em Maceió, familiares dessas pessoas e profissionais de saúde ligados ao movimento antimanicomial. Como resultado do processo, será apresentado um espetáculo com os participantes na Primeira Mostra de Teatro do Oprimido na Saúde Mental, onde poderão mostrar, além das técnicas teatrais desenvolvidas, um exercício pleno de atuação em busca de sociedade ideal, sem opressões.
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