Superação: centenas de mulheres enfrentam câncer de mama em Alagoas
O mês de outubro é dedicado às campanhas de combate ao câncer de mama. Mas apesar das ações intensas dos órgãos de saúde, os casos de câncer de mama aumentam a cada ano.
No Brasil são registrados anualmente 50 mil casos da doença. Em Alagoas, 480 mulheres são diagnosticadas com câncer de mama por ano.
O diagnóstico precoce é a causa mais eficiente para tratar e combater esse mal que pode levar à morte. Ter o hábito de fazer o autoexame das mamas, realizar a mamografia anualmente e ter a prática saudável de exercícios e alimentação reforçam os cuidados para evitar a doença.
O câncer de mama amedronta muita gente mas quem conseguiu enfrentar a doença e obteve a cura faz questão de relatar a experiência para motivar as pacientes que estão em tratamento.
Wilma de Almeida Melo, 71 anos, teve câncer há 25 anos e, na época, se submeteu a mastectomia da mama direita para combater o avanço da doença. “O ano era 1991 e não tinha a facilidade do acesso ao tratamento como acontece nos hospitais de Arapiraca”, revelou.
Ela conta que após a mastectomia teve que passar seis meses realizando o tratamento quimioterápico, mas não havia esse tipo de serviço na cidade. As sessões eram realizadas na Santa Casa de Misericórdia, em Maceió. “A medicação da quimioterapia provocava muito enjoo e a viajem de volta à Arapiraca era um dos momentos mais difíceis”, relata a dona de casa.
Mas mesmo tendo que percorrer 123 km de ônibus após a sessão quimioterápica, no retorno à Arapiraca, Wilma de Almeida afirma que nunca pensou em desistir de enfrentar o tratamento. Ela contou que duas amigas que iniciaram o tratamento na mesma época, não concluíram as sessões quimioterápicas, e infelizmente faleceram por complicações decorrentes da doença.
Apoio da família
Para a dona de casa e mãe de dez filhos, a confirmação do diagnóstico é um momento muito difícil. Ela relata que havia muitos tabus na época e ninguém tinha muita informação sobre o estágio da doença. “Muitas pessoas disseram ao meu marido que ele ia ficar viúvo e que ia ter de criar os dez filhos sozinho. Foi muito duro ouvir isso”, falou emocionada.
Mas contrariando todas as expectativas negativas ela seguiu firme no tratamento e com o apoio, o carinho e o amor do esposo e dos filhos, venceu o câncer. “É muito importante o apoio da família para quem enfrenta a doença. A queda do cabelo, a debilitação do corpo, tudo isso interfere na autoestima do paciente. Eu diria que o carinho da família representa 70% do tratamento”, afirmou.
Trabalho solidário
Há quase dez anos, Wilma de Almeida realiza um trabalho voluntário na Associação de Apoio aos portadores de Câncer (AAPC). Semanalmente, ela visita os pacientes que fazem tratamento no Hospital Afra Barbosa. Além de servir um lanche, ela e outras voluntárias levam uma palavra de incentivo e apoio aos portadores da doença. “Se eu completei 25 anos de cura do câncer de mama, vocês também vão conseguir”, incentiva a voluntária durante as visitas.
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