Limite de gastos do governo deve reduzir concursos públicos, diz especialista
A Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que congela os gastos do governo por 20 anos, aprovada nesta terça-feira (13) pelo Senado, deve afetar diretamente a realização de concursos públicos para órgãos e empresas do governo federal , como Receita Federal, Correios, INSS, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.
"São justamente os concursos mais visados por pagarem salários mais altos", diz o advogado Danilo Rogério Peres Ortiz Camargo, especialista no assunto. "Com o Orçamento reduzido, o governo deve reduzir a abertura de concursos públicos para contratar novos servidores", afirma Camargo.
Estados e municípios ficam de fora das regras.
PEC X concursos
Com as novas regras aprovadas, o governo passa a ter um limite máximo para os gastos públicos pelos próximos 20 anos. Se ultrapassar esse limite em um ano, no ano seguinte o governo precisa cumprir uma série de restrições --até que o limite volte a ser cumprido.
Entre elas, está a proibição de de realizar concursos públicos, exceto para repor cargos de chefia e de direção (que não levem a aumento de despesas) e cargos efetivos ou vitalícios que estejam vagos.
O diretor da Consultoria de Orçamento e Fiscalização Financeira da Câmara, Ricardo Volpe, disse que, pela PEC, Judiciário e Legislativo têm "gordura para queimar" e estão em situação confortável, inclusive para promoverem novas contratações por concurso público. A exceção seriam os "mais gastadores", como a Justiça do Trabalho. O Poder Executivo ficaria dependendo de outras medidas de ajuste fiscal para se manter com a atual estrutura.
Lista de espera
Outra prática que pode acontecer, de acordo com Camargo, é o governo realizar o concurso, mas não chamar todos os candidatos aprovados. Isso porque a limitação dos gastos pode dificultar a contratação do pessoal.
"É uma prática que, infelizmente, tem aumentado neste período de crise: abre-se o concurso, mas ninguém ou poucos são chamados", diz Camargo. "Nesses casos, o candidato pode entrar com uma ação na Justiça para assumir."
Apesar disso, o advogado afirma que o funcionalismo público ainda é uma boa opção de trabalho. "Pode ser que fique mais difícil ingressar, mas é uma carreira com maior estabilidade."
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