Saiba a origem do beijo, hábito exclusivamente praticado entre seres humanos
O primeiro beijo causa dúvidas e desencontros. Os sentimentos passam longe do romantismo e vão do susto ao desconforto, da esquisitice ao arrependimento. Para a maioria de nós, a sensação única dessa carícia acaba tornando a insistência quase obrigatória. Depois de algum treino, o susto se torna frio na barriga, o desconforto prazer, a esquisitice estímulo sexual e o arrependimento uma inquietação à espera do bis. Mas, se essa enxurrada de sensações ilustra o primeiro beijo de quase todos nós, quais teriam sido as motivações do primeiro beijo de nossos ancestrais? Ou seja: como chegamos à invenção desse hábito bizarro? (Ainda mais numa época sem escovas de dentes nem fio dental.)
Se o primeiro beijo foi dado na pré-história, ninguém sabe, ninguém viu (ou, pelo menos, ninguém registrou). Não há desenhos em cavernas, artesanatos ou pinturas em tecidos que indiquem o costume de encostar os lábios entre nossos ancestrais. Nem a civilização egípcia, prodigiosa em suas expressões artísticas e provas documentais, que retratou em pinturas e esculturas seus hábitos de caça, alimentação e até suas relações sexuais, deixou qualquer traço que pudesse sugerir um beijo.
As mais antigas referências ao comungar de bocas vieram do Oriente, mais precisamente dos hindus. Há um registro de aproximadamente 1200 a.C., no livro védico Satapatha (textos sagrados em que se baseia o bramanismo), recheado de sensualidade: “Amo beber o vapor de seus lábios”. O Mahabarata (poema épico com mais de 200 mil versos, compilados em aproximadamente 1000 a.C.) descreve: “Pôs a sua boca em minha boca, fez um barulho e isso produziu em mim um prazer”.
Algum tempo depois, outro texto indiano, o Kama Sutra, um compêndio sobre os preceitos do prazer escrito entre 400 e 200 d.C., apresentou uma versão mais amadurecida sobre o assunto, com cerca de 200 passagens detalhando a prática, a moral e a ética do beijo. Verdadeiro manual do usuário, o texto descreve, por exemplo, os três tipos de beijo a que uma moça da época tinha acesso: o beijo “nominal”, no qual só poderia tocar a boca do amante com os lábios; o “palpitante”, que permite movimentar apenas o lábio inferior, e havia o de “toque”, no qual a moça está autorizada a passar a ponta da língua nos lábios do namorado.
Se os hindus foram pioneiros ao descrever suas aventuras bucais, os invasores de suas terras devem ter sido os primeiros difusores da prática: os soldados de Alexandre, o Grande. Eles dominaram parte da Índia, entre 327 e 325 a.C., e, quando partiram para outras terras, levaram na bagagem esse ensinamento lascivo. A partir de então, por onde passavam, em sua trilha de guerras e conquistas, espalharam o hábito de beijar.
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