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Crítico literário Antonio Candido morre aos 98 em São Paulo

Autor de 'Formação da Literatura Brasileira', ele deu aulas na USP

Por G1 12/05/2017 11h11
Crítico literário Antonio Candido morre aos 98 em São Paulo
Antonio Candido - Foto: Flavio Moraes/G1

O crítico literário e sociólogo Antonio Candido morreu em São Paulo na madrugada desta sexta-feira (13) aos 98 anos. A informação foi confirmada pela Faculdade de Filosofia e Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, onde ele deu aulas no curso de Letras e era professor emérito.

Segundo a FFLCH, o velório ocorre no Hospital Albert Einstein, no Morumbi, até as 17h.

Ele deixa as filhas, e também professoras de História da USP, Laura de Mello e Souza e Marina de Mello e Souza.

Pioneiro da crítica literária

Antonio Candido de Mello e Souza foi um dos mais importantes críticos literários brasileiros. Ele nasceu no Rio de Janeiro, em 24 de julho de 1918, filho do médico Aristides Candido de Mello e Souza e de Clarisse Tolentino de Mello e Souza.

Na infância, não estudou em escolas e foi educado em casa tendo a mãe como professora. Ainda criança, ele se mudou para Poços de Caldas (MG), e depois para São João da Boa Vista, no interior de São Paulo. Também viveu na França, entre 10 e 12 anos.

Em 1937, iniciou os cursos de Direito e de Ciências Sociais na Universidade de São Paulo (USP). Quatro anos depois, ele se formou em Ciências Sociais.

Tornou-se livre-docente de literatura brasileira em 1945 e doutor em ciências em 1954. Em 1974, passou a ser professor titular de teoria literária e literatura comparada da USP, cargo em que se aposentou em 1978.

Obras mais importantes

De suas obras de crítica literária, a mais importante é "Formação da Literatura Brasileira", de 1959, sobre os momentos decisivos da formação do sistema literário brasileiro.

Também foi importante graças a seus estudos sociológicos. Analisou o "caipira paulista e sua transformação" em "Os Parceiros do Rio Bonito" (1964).

Ao lado de outros intelectuais brasileiros, entre eles Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982), fez parte da criação do Partido dos Trabalhadores (PT), em 1980.

Prêmios

Em 1998, recebeu o Prêmio Camões, concedido pelos governos do Brasil e de Portugal, em Lisboa. Em 2005, ganhou o Prêmio Internacional Alfonso Reyes, no México.

Cândido ganhou também quatro vezes o Prêmio Jabuti, o mais importante no Brasil. Venceu por "Formação da literatura brasileira" (1960), "Os parceiros do Rio Bonito" (1965), "Brigada ligeira e outros escritos" (1993); além da estatueta de personalidade do ano, em 1966.

Antonio Candido também foi professor-emérito da USP e da UNESP e doutor honoris causa da Unicamp, de Campinas (SP), além de professor honorário do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo.

Participação na Flip

Em 2011, participou da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). "Sou um homem do passado. Estou encalhado no passado. Se os senhores não prometerm contar nada para ninguém, ainda escrevo com máquina de escrever", disse, durante a abertura do evento.

"Estou completamente fora do mundo literário. Nem sei quais são os autores atuais. Saio perdendo, evidentemente, mas há uns 20 anos que não leio nada novo. Nem do Brasil nem do estrangeiro. Não quero com isso dizer que os atuais não sejam do mesmo nível, só que eu não os conheço", comentou.

Na Flip, Cândido falou ainda de seu ofício. "Estou com a vida intelectual completamente encerrada. Sou um sobrevivente. Mas fui muito amigo de Oswald de Andrade. Mas decidi vir porque a filha dele, Marília, que é amiga de infância da minha filha, me pediu", disse.