Protesto contra corrupção no Haiti deixa pelo menos 2 mortos e vários feridos
Milhares de pessoas saíram neste domingo às ruas do Haiti para participar de um novo protesto nacional contra a corrupção e a impunidade, que deixou pelo menos dois mortos e vários feridos.
Grupos opositores também aproveitaram este protesto para pedir a renúncia do presidente Jovenel Moise.
A Polícia confirmou a morte de uma pessoa em Cabo Haitiano (norte), onde também foram registrados vários feridos, enquanto outras fontes informaram de outra vítima em Petit Goâve, no sul da capital, enquanto a imprensa local informou sobre feridos à bala em diferentes pontos do país.
Durante os protestos aconteceram confrontos entre manifestantes e policiais em várias cidades do país.
Na capital, a Polícia jogou gás lacrimogêneo e atirou para o ar para dissolver os manifestantes que tentavam chegar ao Parlamento ao final da manifestação.
A mobilização aconteceu em diferentes pontos do país, sob um forte esquema policial, para exigir do Governo que esclareça o uso supostamente fraudulento dos fundos do Petrocaribe, programa pelo qual a Venezuela fornece petróleo ao país em condições especiais.
O protesto de hoje coincidiu com a comemoração do 215º aniversário da batalha de Vertières contra as tropas francesas, que levou à independência do país, atos que aconteceram na capital com a presença do presidente, que não viajou para Cabo Haitiano, local do confronto.
Em mensagem transmitida pela televisão após colocar uma coroa de flores no museu do Panteão Nacional, Moise fez um apelo ao diálogo.
"É com a união, a paz e o diálogo que poderemos avançar", disse o presidente, cuja renúncia é reivindicada por alguns grupos da oposição, aproveitando esta ação de protesto.
O líder opositor Moise Jean Charles, afirmou em Cabo Haitiano, em entrevista à imprensa, que só com a saída do presidente do poder haverá um julgamento do caso Petrocaribe.
"Jovenel tem que sair, não há outra opção. Ele é um obstáculo para a estabilidade e a paz. Ele e os seus amigos gastam milhões de dólares quando estamos vendo que outros estão morrendo de fome. Não é possível que ele siga como presidente, e vamos continuar com as mobilizações até que ele vá embora", afirmou Charles.
Para um dos manifestantes, Jean Cinesatre, "com milhares de pessoas nas ruas todos podem ver que o presidente perde sua credibilidade."
"Isto é uma revolução da juventude que quer que as coisas mudem rapidamente, começando pelo presidente, que não quer lutar contra a corrupção", disse à Agência Efe.
O Haiti vive uma forte crise econômica, e a moeda nacional, o gourde, está em queda livre em relação ao dólar, enquanto a inflação está na casa dos 14% ao mês desde o início do ano, e há um alto índice de desemprego, circunstâncias que, somadas ao escândalo de corrupção do Petrocaribe, geraram em uma grande parte da população desconfiança na capacidade do atual Governo para melhorar a situação.
O Parlamento haitiano publicou em 2017 um relatório no qual envolve ex-funcionários do país em supostas irregularidades no uso dos fundos do Petrocaribe, mas até agora ninguém foi processado por este caso, no qual foram desviados mais de US$ 2 bilhões, segundo uma investigação do Senado.
Em outubro, o presidente haitiano fez mudanças no seu Governo, substituindo seu chefe de gabinete e o secretário-geral da Presidência, envolvidos no caso, segundo a investigação.
Dias depois, o primeiro-ministro, Jean Henry Ceant, reiterou o compromisso do Governo para que as supostas irregularidades na gestão dos fundos de Petrocaribe sejam averiguadas, mas até o momento não há informações sobre avanços a respeito.
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