João de Deus não vai responder pela maioria dos crimes, diz delegada
O líder religioso se entregou às autoridades goianas nesse domingo (16)
A delegada Karla Fernandes, responsável pela investigação de supostos abusos sexuais cometidos por João de Deus, disse, nesta segunda (17), que o médium não vai responder pela maioria dos crimes dos quais é suspeito.
O líder religioso se entregou às autoridades goianas nesse domingo (16), 48 horas depois de a Justiça ter decretado a prisão dele, na sexta-feira (14).
Os 15 casos sob análise da Polícia Civil de Goiás, segundo ela, se referem a posse sexual mediante fraude (no caso específico, usar da fé das mulheres para cometer atos libidinosos com elas).
Até setembro deste ano, segundo a investigadora, a lei previa um prazo decadencial (para a denúncia ser feita) de até seis meses após a data do fato. Mas quase todos eles são antigos e a comunicação não se deu em tempo hábil.
Houve mudança na legislação penal e, somente desde aquele mês, o prazo decadencial não existe mais para esse crime. A mudança não se aplica aos casos anteriores, pois a lei brasileira não permite que uma regra nova retroaja para prejudicar o réu.
Fernandes ponderou ser importante que as mulheres continuem levando informações às autoridades, mesmo tratando-se de ocorrências antigas, pois elas podem servir de testemunhas e reforçar o quadro probatório contra o médium.
A delegada, que trabalhou por oito anos na Delegacia de Mulheres de Goiânia, explicou que o crime de estupro não se aplica aos casos sob análise, pois, segundo ela, não houve "conjunção carnal".
O único caso posterior a setembro, que vem sendo considerado o principal, é o de uma mulher de 43 anos, moradora de Goiânia, que administra uma casa espírita. Ela contou ter procurado João de Deus para buscar a solução de problemas nesse centro espiritual. Foi a primeira a ser atendida e, segundo a versão apresentada, logo levada para uma sala reservada, cujas luzes estavam apagadas.
O médium teria então massageado a região sob o ventre da mulher, sob o argumento de dissipar uma energia ruim. Ela relatou que, em determinado momento, notou que João de Deus estava com o pênis de fora e reagiu, alegando que havia algo errado. Ele teria interrompido a sessão e solicitado que ela não contasse nada a ninguém.
A delegada afirmou que, em depoimento, João de Deus disse não conhecer ou não se lembrar de várias mulheres que o acusam e negou os abusos. Porém, quando questionado sobre esse caso mais recente, teria alterado o tom de voz e dito que a suposta vítima teria de apresentar alguma prova que comprovasse violação sexual.
Ele teria alegado que a acusadora é uma mulher problemática. "Além de negar o fato, ele tentou imputar em relação à vítima que ela teve problema na instituição [espírita à qual é ligada]. Tentou jogar para cima dela que estava tentando se aproveitar da situação", comentou a policial.
A delegada afirmou que essa mulher foi a única encorajada pelo companheiro, seu namorado, a denunciar.
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