Bolsonaro diz que poderá demitir diretor do Inpe
"Se quebrar confiança, será demitido", disse o presidente
O presidente Jair Bolsonaro voltou a levantar dúvidas sobre a atuação do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão. Em coletiva de imprensa, Bolsonaro disse que "pode tomar uma decisão mais drástica" em relação ao diretor por causa da divulgação supostamente equivocada de dados sobre o desmatamento no País. Com carreira no órgão federal desde 1970, Galvão tem mandato até 2020.
"Se quebrar confiança vai ser demitido sumariamente, não tem desculpa para nenhum subordinado ao governo divulgar dado com esse peso de importância para o nosso Brasil. A questão de perder a confiança, no meu entender é uma pena capital. Nem na vida particular convivemos com pessoas que perdemos confiança. Temos muita responsabilidade em identificar se houve má fé ou não", disse.
O presidente convocou coletiva de imprensa na tarde desta quinta-feira, 1º, para tentar esclarecer o aumento de 88% no desmatamento na Amazônia em junho comparado ao mesmo mês no ano passado, detectado pelo Inpe. O número teve forte reação negativa no exterior. "A fama do Brasil e a minha é péssima lá fora tendo em vista os rótulos que foram colocados", avaliou o presidente.
O governo apontou supostas falhas no Deter, usado pelo Inpe, que teria contabilizado dados de meses anteriores em junho de 2019, contaminando o resultado. Também alegam que pode ter havido sobreposição de áreas desmatadas que já foram contabilizadas anteriormente. Não foi apresentado qual teria sido efetivamente o porcentual de aumento no período.
O Estado mostrou nesta quinta que, em um ano, os alertas do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter) indicaram aumento de 40% no desmatamento da região.
"Essas pessoas que estão na frente desses órgãos, lamento que alguns tenham mandato, não sei se o do Inpe tem mandato, a gente pode tomar uma decisão mais drástica no tocante a isso aí porque o estrago é muito grande", disse Bolsonaro.
Para o presidente, "é muito estranho" que os dados tenham sido divulgados dessa forma no momento em que o Brasil "dá sinais claros de melhora na economia" e que "o estrago já está feito fora do Brasil". "A pessoa que passou informação no mínimo duvidosa para vocês (jornalistas) tem de ser responsabilizada, sim. O Brasil não tem mais espaço para grupos fazerem política e defenderem os próprios interesses."
Ele considera que a divulgação teve objetivo de "atingir" o nome do Brasil e o seu governo. "Qualquer pessoa, mesmo leiga, um simples cidadão que vê que a conta de energia dobrou de um mês para outro pensa que tem alguma coisa errada", afirmou. "Não queremos abafar nem deixar de divulgar nada, mas no meu entendimento não houve responsabilidade necessária para divulgar um número como esse."
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