Eleição para sindicato de servidores vira disputa política em Canapi
Namorada de secretário municipal e candidata alega estar sendo alvo de denúncias infundadas
A eleição para o Sindicato dos Servidores Públicos de Canapi (Sindscan) sequer tem data para acontecer, mas a disputa pela presidência agita os bastidores políticos do município. De um lado, a candidata da Chapa 1, a professora Jane Kerline da Silva; do outro, denúncias de que - além do relacionamento dela e do secretário de Educação do município, Luiz Vieira da Silva, pode representar um possível conflito de interesses - ela tem vínculo empregatício com carga horária incompatível em três municípios sertanejos.
“Não há qualquer impedimento para que eu seja candidata ou para que eu possa assumir a presidência do sindicato. Tanto que não buscaram impugnar a minha candidatura e só agora fazem denúncias infundadas”, afirmou Jane Kerline, nesta segunda-feira (11).
A eleição para o Sindscan, que representa a maioria dos servidores da prefeitura de Canapi, estava marcada para o dia 28 de fevereiro, mas em decorrência da pandemia, a votação foi adiada e o mandato da atual gestão foi prorrogado até o mês de agosto.
Conforme as denúncias encaminhadas para o 7Segundos, o relacionamento entre Jane Kerline e o secretário de Educação poderia prejudicar os servidores numa eventual discussão entre sindicato e município, como por exemplo, numa campanha de reajuste salarial. Além disso, com o cumprimento de carga horária de 90 horas semanais, ela não teria condições de atender às demandas de gestão do sindicado. As denúncias dão conta que, em Santana do Ipanema, município onde a professora reside, ela é professora efetiva do Estado, com carga horária de 30h. Além disso, ela também tem outras 40h na rede municipal de Canapi e teria ainda outras 20h na rede municipal de Inhapi.
Conforme a legislação brasileira, professor é um dos poucos profissionais que podem acumular cargos no serviço público. Docentes podem ter, no máximo, dois cargos acumulados, desde que a carga horária não exceda 60 horas semanas. Caso a professora tenha vínculo em três municípios e 90h de carga horária, está cometendo irregularidade. As denúncias enviadas para a redação foram embasadas com fotografias retiradas dos portais de prestação de contas do Estado e dos municípios. As imagens podem ser conferidas ao final do texto, na Galeria de imagens.
Jane Kerline, no entanto, desmente a existência de vínculo empregatício na prefeitura de Inhapi. Ela confirma ser professora concursada da rede estadual de Santana do Ipanema e também que dá aulas na rede municipal de Canapi. Caso eleita para a presidência do sindicato, ela explica que na prefeitura de Canapi ela será afastada da sala de aula para se dedicar à atividade sindical.
“Essas denúncias tem origem no grupo de oposição, que é ligado ao ex-prefeito Celso Luiz, que quer retomar o poder no sindicato. Não é porque eu namoro com o secretário de Educação do município que eu faço parte da situação do município, até porque ele pode sair ou ser exonerado. O atual secretário pode continuar, ou não, no cargo. A oposição do sindicato, como não encontrou outro meio para prejudicar minha candidatura, veio com essas denúncias. Sou professora do Estado em Santana do Ipanema e do município em Canapi; em Inhapi eu não trabalho”, declarou.
No entanto, mesmo refutando todas as denúncias feitas contra ela, a professora Jane Kerline tentou impedir que esta matéria fosse publicada. Após conceder entrevista e prestar as informações reproduzidas nesta matéria, ela voltou a fazer contato com o 7Segundos e disse que pretende acionar a justiça, caso essa matéria fosse ao ar.
“Vocês vão ter que dizer quem é a fonte, porque assim que a matéria sair, eu boto na justiça. Se o ‘jornal’ jogar uma matéria dessa, porque eu nunca fui matéria nenhuma, em jornal nenhum, lançar essa matéria e me prejudicar na minha vida profissional, eu processo o ‘jornal’”, declarou.
O 7Segundos reafirma seu compromisso em fazer um jornalismo de fatos, dando espaço para que todos os envolvidos sejam ouvidos e possam se pronunciar, assim como fizemos com a professora Jane Kerline, que foi procurada pela reportagem antes de as denúncias serem veiculadas e teve a chance e exerceu seu direito de defesa e resposta às acusações. A Constituição Brasileira assegura, em seu artigo 5o, o acesso à informação e o sigilo da fonte.
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