Com o fim da fase de instalação, 1.600 operários serão demitidos da Vale Verde em Craíbas
Empresa afirma que parte dos trabalhadores será aproveitada na operação e em outros projetos da mineradora
Em meio à preocupação com a crise econômica decorrente da pandemia, a Mineradora Vale Verde (MVV) - maior empreendimento do Agreste alagoano - está próximo de concluir a fase de instalação e já iniciou o processo de desligamento dos trabalhadores que atuaram nesta fase. Um total aproximado de 1.600 operários deverão ser demitidos.
“O que está acontecendo hoje já era esperado. Houve o momento do pico da obra, em que chegamos a mobilizar dois mil trabalhadores, e depois que passa esse pico e há a conclusão da etapa, os trabalhadores são desmobilizados. É como a construção de uma casa, em um momento são necessários vários trabalhadores, para fazer a estrutura, a parte hidráulica e elétrica e, à medida que esses serviços são concluídos, a quantidade de trabalhadores na hora vai reduzindo. Eles próprios já entram sabendo que o trabalho deles tem início, meio e fim”, explica o coordenador de comunicação e responsabilidade Social da MVV, Mário Lima.
Ele ressalta que no mês passado (11 de fevereiro), a Vale Verde encaminhou à imprensa uma carta aberta, que - entre outros assuntos - falava que o desligamento das equipes de construção é esperado com o fim desta fase e que o time de operação, que vai trabalhar na extração do minério, é “empregará um número relativamente menor de profissionais, se comparado ao período de pico de obra da implantação. (Veja o trecho abaixo)

“No ano passado, no período em que muitas empresas estavam desmobilizando funcionários, dando férias coletivas e até mesmo fechando as portas, a Vale Verde seguia na contramão e estava contratando duas mil pessoas, a grande maioria delas residentes locais. Muitas delas foram treinadas e capacitadas, receberam certificação no Senai e hoje têm uma profissão, e hoje podem trabalhar em qualquer empresa, inclusive na Mineradora. A gente se orgulha muito desse legado que estamos deixando para essas famílias”, declarou.
Impacto
Mesmo que as demissões ocorram dentro de um processo natural da conclusão da obra e que não sejam novidade para os trabalhadores e para os gestores públicos, haverá um grande impacto na economia local, especialmente no município de Craíbas. O comércio e o setor de serviços, que já sofrem queda devido à pandemia e ao fim do auxílio emergencial, irão sofrer mais um baque.
Conforme informações da própria Vale Verde, a mineradora empregava, no mês de janeiro, dois mil trabalhadores. Destes, 400 ou até menos que isso, serão mantidos na operação - como é chamada a extração de minérios - que deverá ter início entre o fim deste semestre e o início do próximo. Para essa fase, a MVV deve contar com aproximadamente 500 trabalhadores e, por conta disso, além das demissões, novas contratações também devem ocorrer nos próximos meses.
Segundo Mário Lima, as demissões que estão sendo feitas não estão pegando os trabalhadores de surpresa. Eles já sabiam que o contrato era temporário e já contavam com as verbas rescisórias. “Todos foram contratados pela CLT e a rescisão estão sendo feitas de maneira programada. Eles estão recebendo todas as verbas trabalhistas, poderão receber seguro-desemprego e manter algumas vantagens temporariamente, como o plano de saúde, por um prazo de 30 dias”, explicou.
Novas oportunidades
De acordo com o coordenador de comunicação, as demissões ocorridas com o fim da fase de construção também não significa que todos os 1.600 ficarão desempregados. De acordo com eles, alguns que se desenvolveram e se destacaram no trabalho poderão ser chamados para trabalhar em outras áreas da mineradora, enquanto outros trabalhadores poderão seguir com as empresas que atuaram na área de construção.
“Essas demissões também não significam que a Vale Verde não fará mais contratações. Pelo contrário, estamos inclusive abrindo vagas para analista e técnico de laboratório, exclusivamente para moradores de Craíbas e Arapiraca, porque nós vamos manter esse percentual mínimo de 70% de trabalhadores locais. Essas vagas, não abrimos nem para outros municípios do Agreste. É apenas para essas duas cidades mesmo”, ressaltou.
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