Relatório aponta graves problemas ambientais da Região do Baixo São Francisco
Documento é fruto da 3ª Expedição Científica liderada pela Ufal e danos ao meio ambiente, são descritos por mais de 40 pesquisadores
Empobrecimento das espécies e da biodiversidade aquática e da vegetação, assoreamento e aumento de contaminantes estão entre os danos ambientais causados no Baixo São Francisco e constatados por pesquisas realizadas naquela região. Os resultados estão publicados no relatório da 3ª Expedição Científica, liderada pela Universidade Federal de Alagoas em parceria com instituições locais e nacionais. O documento, dotado de 435 páginas, foi elaborado por cerca de 40 pesquisadores e colaboradores participantes de grupos de pesquisa.
Com informações atuais, robustas e conclusivas sobre o que está ocorrendo no Baixo São Francisco, em seus 24 capítulos, o relatório conta com estudos em cerca de 28 áreas de pesquisa. Destaca, também, como graves problemas ambientais continuam afetando o Baixo São Francisco, como a contaminação por metais pesados e mudança na hidrologia. Mudanças das culturas devido à salinização de áreas, onde antes era água doce, impacto e seca nas lagoas marginais, que são berçários de espécies, também são apontados no documento como severos problemas ambientais daquela região.
Coordenador-geral da Expedição e um dos autores do documento, Emerson Soares destaca que o relatório se situa como um instrumento para demonstrar os impactos e possíveis soluções para resolução de alguns problemas causados pelas ações antrópicas no baixo curso do rio. “Em momento de crise hídrica, de pouca preocupação com a questão ambiental, de falta de políticas direcionadas a resolver problemas ambientais e de falta de estatística e modelagens para que políticas públicas sejam lançadas para resolver os inúmeros problemas, a importância do relatório é disponibilizar informações atuais, sobre o que está acontecendo no Baixo São Francisco”, disse.
Ele aproveita para também citar como consequências ambientais preocupantes, a poluição hídrica, o aumento de parasitoses na água e a piora dos índices de qualidade de águas, na região alvo dos estudos, onde estão localizados municípios ribeirinhos dos estados de Alagoas e Sergipe. “O aumento do uso de agroquímicos no solo e no ambiente aquático, assim como, de macrófitas aquáticas com eutrofização do ambiente e ausência de esgotamento sanitário também são causadores de danos ambientais. Estudos ainda apontam, como fator preocupante, o índice crescente de doenças na população ribeirinha”, ressaltou Soares.
O Relatório resultado da 3ª Expedição já foi enviado ao Comitê de Bacias Hidrográficas do Rio São Francisco (CBHSF), à Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado de Alagoas (Semarh-AL), ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), à Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) e à Agência Nacional de Águas (ANA). A Expedição é considerada o evento científico de maior projeção realizado em águas brasileiras.
Edição de 2021
O tema da 4ª edição da Expedição Científica será Consolidando a Ciência em ações ambientais no Baixo São Francisco, que acontecerá de 31 de outubro a 10 de novembro de ano. O ponto de partida da expedição será o município ribeirinho alagoano de Piranhas, local também da abertura do evento. O trajeto aquático e terrestre, alvos de pesquisa e de intervenções junto às comunidades ribeirinhas, contempla ainda as cidades de Pão de Açúcar, Traipu, São Brás, Igreja Nova, Penedo e Piaçabuçu, em Alagoas, Propriá e Brejo Grande, em Sergipe.
Na estrutura da edição de 2021 estão dois barcos laboratórios, cinco lanchas e catamarã de apoio e envolverá 66 pesquisadores. Duas equipes de TV e produtora para a cobertura do evento também estão definidas. Segundo o coordenador Emerson Soares, um avião não tripulável fará o mapeamento de toda a Região do Baixo São Francisco, contemplada com pesquisas em 35 áreas.
A interação dos pesquisadores com comunidades escolar ribeirinhas, sobressai-se, também como grande positividade da expedição. “Este ano teremos a instalação de cinco modelos demonstrativos de fossas sépticas biodigestoras com reúso de água para plantio, em escolas, além de doação de equipamentos com projetor multimídia (datashow), notebooks e caixas de som para escolas e de 400 kits de material escolar”, anunciou.
Soares revela, ainda, que também estão na programação da edição 2021 a doação de minitratores a associações rurais, realização de exames de pele e 450 testes RT-PCR na comunidade. A ação bucal, a exemplo da edição de 2020, também será feita junto aos estudantes das escolas ribeirinhas visitadas pela equipe da expedição.
Sobre o que considera de mais relevante proporcionado pelo evento científico, o professor Emerson destaca: “A maior contribuição é uma revolução científica que estamos fazendo numa área antes esquecida pelas políticas públicas. A Expedição Científica tem proporcionado ações sociais de inclusão da população ribeirinha e do pescador. Também valorização da política agroecológica, educação ambiental, além de rico e amplo material científico, atraindo os olhares do poder público para a Região do Baixo São Francisco”.
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