Justiça nega recurso e ex-secretário que confessou ter matado mulher atropelada continua em liberdade
Ricardo Medeiros admitiu ter ingerido bebidas alcoólicas e remédios antes de atropelar e causar a morte de Jnenilda Bento
O juiz da Vara do Único Ofício de Cacimbinhas, Alfredo dos Santos Mesquita, que responde também pelo município de Dois Riachos, negou o recurso do Ministério Público que pedia a prisão preventiva do ex-secretário de Saúde de Santana do Ipanema, Ricardo Medeiros Rosa, que responde a processo ter atropelado e causado a morte da servidora Jenilda Bento, no dia 26 de junho, na BR-316.
Com a decisão, Ricardo Rosa continua a responder em liberdade pelos crimes de homicídio culposo, embriaguez ao volante e omissão de socorro. O enfermeiro chegou a ser preso em flagrante pela Polícia Rodoviária Federal momentos após o atropelamento de Jenilda Bento, mas foi liberado no dia 29, após pagar fiança de R$ 11 mil. No mesmo dia, ele foi exonerado do cargo de secretário municipal de Saúde de Santana do Ipanema.
Após a soltura do acusado, a promotora Jheise de Fátima Lima da Gama ajuizou recurso, com o argumento de que Ricardo Rosa, como enfermeiro, estava ciente das consequências de guiar veículo automotor após consumir bebidas alcoólicas e, que ele teria confessado - além do consumo das latas de cerveja encontradas em seu veículo, o uso de medicamentos, e também por ele ter cometido o atropelamento fora da pista.
Na decisão em que negou o recurso da promotora, o juiz determinou que os autos sejam remetidos e novamente apreciados pelo Tribunal de Justiça.
Relembre o caso
A servidora pública Jenilda Bento, 39, e a vizinha Lenice Terto saíram para fazer caminhada na área ao lado do acostamento da rodovia BR-316, na entrada do município de Dois Riachos. Segundo Lenice, elas estavam a uma distância de aproximadamente dois metros da pista, quando a amiga dela foi atingida por trás, pelo veículo que era guiado por Ricardo Rosa.
Jenilda chegou a ser socorrida para o Hospital Clodolfo Rodrigues, mas não resistiu e morreu pouco depois.
Ricardo Rosa, que em depoimento confessou estar no volante do veículo, fugiu do local, sem prestar socorro à vítima. Minutos depois, quando a PRF foi informada sobre o acidente, fez abordagem ao veículo e encontrou o motorista com visíveis sinais de embriaguez. No veículo foram encontradas sete latas de cerveja consumidas e o exame do bafômetro atestou que ele apresentava alcoolemia dez vezes maior que o máximo permitido. E então ele foi preso em flagrante.
Jenilda era funcionária de uma escola no município de Dois Riachos e deixou três filhos. A morte da funcionária pública deixou a população consternada e causou revolta, principalmente após o motorista do veículo ter sido liberado para responder a processo em liberdade. Parentes e amigos comparam a situação ao caso do bancário que atropelou e matou dois motociclistas, dias antes, em Maceió. Diferente de Ricardo Rosa, o bancário continua preso e está respondendo por homicídio doloso, cuja pena é maior do que homicídio doloso.
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