Fóssil de polvo com dez braços de 325 milhões de anos leva nome em homenagem a Joe Biden
A descoberta representa um achado único para a ciência pois fósseis de animais moles, como os polvos, raramente estão em um estado de conservação que permita seu estudo
As cerca de 300 espécies conhecidas de polvos que habitam os nossos oceanos possuem uma característica singular: têm oito braços. O Syllipsimopodi bideni, o parente mais antigo dos polvos de hoje, possuia dez.
A nova espécie, de apenas 12 cm de comprimento, foi descoberta durante uma escavação em uma antiga baía no estado de Montana, nos Estados Unidos, e levou o nome do presidente Joe Biden pois os pesquisadores queriam homenagear o compromisso do mandatário americano com a ciência.
A descoberta representa um achado único para a pesquisa científica pois fósseis de animais moles, como os polvos, raramente estão em um estado de conservação que permita seu estudo.
Apesar disso, esse fóssil foi ignorado pela ciência por mais de 30 anos; ele permaneceu por décadas no Royal Ontario Museum do Canadá até que os paleontólogos americanos Christopher Whalen e Neil Landman decidiram estudá-lo.
"Os polvos são os invertebrados mais inteligentes e estão entre os animais mais inteligentes de todos. É fascinante saber de onde esses animais singulares vieram evolutivamente", disse Whalen, pós-doutorando no Museu Americano de História Natural em Nova York e na Universidade de Yale.
Os cefalópodes (polvos e lulas) são alguns dos moluscos mais diversos e fascinantes do nosso planeta. Eles conquistaram todos os oceanos, sobreviveram às cinco maiores extinções da história da Terra e hoje somam cerca de 800 espécies.
Os autores sugerem que as características do Syllipsimopodi bideni o tornam o membro mais antigo de um grupo chamado de vampiropodes. Este é o grupo de cefalópodes que inclui os polvos modernos e a “lula-vampiro” que, apesar desse nome, é mais próxima do polvo que da lula.
As lulas-vampiro de hoje têm oito braços e dois filamentos finos que os cientistas há muito consideram vestígios de antigos braços. Os polvos não têm esses filamentos vestigiais (estruturas que perderam ou modificaram a sua principal funcionalidade).
"O Syllipsimopodi é o primeiro fóssil a demonstrar que, sim, os vampiropodes possuíam ancestralmente 10 braços, como prevíamos", disse Whalen.
Até agora, pensava-se que os vampiropodes se originaram no Período Triássico, há cerca de 240 milhões de anos. Mas esta nova espécie recua isso em mais de 82 milhões de anos, o que é mais tempo do que separa os humanos do Tyrannosaurus rex.
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