Pesquisadores mexicanos cobram explicações após professor da Ufal ser deportado de forma arbitrária
O professor alagoano foi afastado da família por doze horas e em seguida deportado ao Brasil
O professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), lotado no Campus Arapiraca, Diego Oliveira, foi deportado na última sexta-feira (27), ao desembarcar no aeroporto Benito Juárez, na cidade do México.
O pesquisador alagoano viajou para o país junto com a esposa e com seus dois filhos - uma criança de três anos e outra de um ano - para concluir sua pesquisa de Pós-Doutorado na Universidade Autônoma da Cidade do México mas, ao passar pela imigração no aeroporto, foi impedido de entrar no país, mesmo apresentando a documentação exigida.
De forma arbitrária, o professor universitário foi separado de sua família por quase doze horas, onde ficou incomunicável, e, em seguida, foi deportado de volta para o Brasil.
Um grupo composto por 23 pesquisadores vinculados ao Centro de Estudios sobre la Ciudad escreveram uma carta aberta cobrando explicações às autoridades migratórias mexicanas e aos responsáveis pela política exterior do governo do México.
"O Dr. Diego de Oliveira Souza é professor investigador da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), instituição pública no Brasil, com larga tragetória acadêmica tanto a nível de graduação como pós-graduação. Tem uma vasta produção científica, é membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, organismo pelo qual recebeu financiamento para coordenar a pesquisa "Riscos e Exigências do e no trabalho em Enfermaria no enfrentamento da pandemia de Covid-19 em Alagoas", diz trecho do documento.
A viagem de Diego ao México era uma das atividades planejadas durante seu pós-doutorado, onde participaria de forma presencial do Diplomado Internacional "Metrópolis y Salud" com outros colegas do Brasil e do México.
Ainda segundo a carta encaminhada às autoridades pelos pesquisadores, o professor Diego solicitou uma ligação ou que as autoridades mexicanas entrassem em contato com o Consulado Geral do México no Rio de Janeiro ou com a Embaixada do Brasil no México, mas não teve êxito.
"O artigo 78 da Lei de Imigração de Migração indica o seguinte: 'No caso de rejeição de uma pessoa estrangeira ser determinada, a autoridade de imigração entregará uma cópia da resolução a ele e à empresa que o levou ao território nacional'. Nesse sentido, é alarmante que tenham forçado a assinar documentos sem a oportunidade de lê-los e sem responderem ou explicarem o que estava acontecendo", diz outro trecho da carta.
Ao final do documento, os pesquisadores exigem a liberação de qualquer alerta migratório para que o brasileiro possa ingressar no México.
"Exigimos o ressarcimento do dano psicológico, moral e econômico sofrido pelo Dr. Diego de Oliveira Souza e sua família, a liberação de qualquer alerta migratório para que ele possa ingressar no México se assim ele desejar, sem nenhum tipo de obstáculo legal. Lembramos que este não é um evento isolado, solicitamos a revisão da abordagem e protocolos de atuação das autoridades migratórias para que cidadãos da América Latina, de modo que não se siga ocorrendo violações aos direitos humanos", finaliza a carta.
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