Desembargadores rejeitam apelo e acusados do caso Roberta Dias devem ir à júri popular
Mary Jane e Karlo Bruno são réus por homicídio qualificado
Por unanimidade, os desembargadores da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Alagoas rejeitaram, nesta quarta-feira (20), o apelo dos réus do assassinato de Roberta Dias, ocorrido em abril de 2012.
Com isso, Mary Jane Araújo Santos, mãe do namorado da vítima, e Karlo Bruno Pereira Tavares, amigo do namorado de Roberta Dias, deverão sentar no banco dos réus em um júri popular que deve ficar marcado na história de Penedo.
Os dois respondem por homicídio qualificado: por motivo torpe, mediante recursos que dificultou defesa da vítima, aborto provocado por terceiro e ocultação de cadáver.
Além da dupla, o namorado de Roberta Dias, Saulo Araújo, também teria participado do crime, mas como ele era menor de 18 anos na época, não responde no mesmo processo.
Relembre o caso
Roberta Dias tinha 18 anos quando foi vista pela última vez em 11 de abril de 2012 após sair de casa para fazer uma consulta de pré-natal. Roberta estava grávida do namorado, Saulo Araújo, que na época tinha 17 anos.
Só que ela não chegou ao destino. Conforme as investigações da polícia à época, a família do namorado não aprovava o relacionamento e a mãe do rapaz teria tentado convencer Roberta a fazer um aborto. Por conta disso, ela foi considerada a primeira suspeita do desaparecimento.
As investigações sobre o caso foram presididas por vários delegados e tiveram vários suspeitos investigados e descartados. O pai de Roberta Dias, Ademir Dias foi assassinado em 2014. Na época, ele cobrava a elucidação do crime que buscava justiça pela morte da filha.
Mas apenas em 2018 é que as investigações se encaminharam para uma elucidação, após o vazamento de um áudio periciado pela Polícia Federal em que Karlo Bruno relata como cometeu o crime, junto com Saulo Araújo.
Conforme o áudio, a dupla encontrou a vítima e seguiram de carro até um local deserto nas proximidades da praia do Peba, município de Piaçabuçu, com a desculpa que o casal precisava conversar sobre a gravidez de Roberta Dias.
Ao chegarem no local, Karlo Bruno teria usado um fio de extensão do som automotivo para asfixiar e matar Roberta Dias. O corpo foi enterrado na região. Os restos mortais da vítima foram encontrados em abril de 2021. O sepultamento aconteceu em novembro daquele ano.
Após análise do áudio, o Ministério Público de Alagoas (MPAL) concluiu também que a sogra de Roberta Dias, Mary Jane, “foi a mentora e financiadora da empreitada criminosa”.
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